Retrato de uma vida

Trago na mente uma doce lembrança
Dos dias de Infância relembro feliz.
Quando corria nas ruas da colônia
da fazenda onde nasci.
Nasci em casa de tábua
E naquele tempo se chamava a parteira
Que vinha ligeira
para ajudar a trazer a este mundo
uma vida tão aguardada pela família
e por Deus tão bem quista.
O piso da casa era de chão batido,
O colchão era feito de chitão
recheado com palha de milho.
Quando a noite chegava
Alguém acendia a lamparina
Que num canto da casa
Em tom bastante sombrio
Com uma luz tremulante reluzia.
Ao clarear do outro dia
Meu pai para o terreirão de Café saia.
Já Minha mãe em casa ficava
Com carinho dos filhos cuidava,
E a lida da casa que também
tão dedicada aos poucos fazia.
Quando se aproximava dezembro e Janeiro,
Os reisados festeiros, bem antes do raiar do dia
Aos poucos despertava a Colônia inteira
Com o barulho que faziam.
Cantavam louvores a Jesus Menino
Aquele que nasceu na simplicidade de uma estrebaria.
O tempo passou depressa
Tanto que chegou o dia
De nos mudarmos da Fazenda Granvia
Para a Cidade de Orlândia
Que tão pródiga nos acolhia.
Nesta cidade estudei, trabalhei, cresci.
Aos 12 anos, meio período do dia estudava
e a outra parte do dia trabalhava.
Não era muito o que eu ganhava,
Mas em casa nas despesas já ajudava.
Não tinha luxo em nossa vida,
Mas com muita luta e cabeça erguida
Perseverantes naquela lida,
Sem esmorecer no dia-a-dia Deus também nos dava guarida.
Hoje é o aniversário do querido Padre Mário e é ele que nos conta um pouco de sua história através desse lindo poema. A Folha de Franca deseja a esse precioso colaborador, dias de muita paz e saúde.









Lindo, singelo, um texto que faz carinho!