Dar ou não dar
O dilema é ético.
Não poucas vezes, uma questão de fé.
Falamos de dar esmolas; ou se recusar a dar alguma a alguém diretamente, para o que pede.
Na filosofia grega antiga, mendigar era visto como sinal de desordem na cidade. Quem vivia de esmola parecia fora desse lugar. Por isso, muitas vezes era afastado dos espaços públicos. Leprosos sociais.
No estoicismo, filosofia prática que se firma nas virtudes, o foco se voltava mais para a vida interior do que para a organização da cidade. O gesto de dar e receber era avaliado principalmente pela intenção e pelo caráter, e não pelos efeitos sociais de longo prazo.
Tendo percorrido 26 anos deste século atual, pedintes continuam firmes, fortes e, alguns, claramente fracos, de plantão em esquinas, ônibus e praças das cidades. Fatores como desemprego, informalidade, migrações, envelhecimento e falta de moradia ou saúde mental adequada aumentam o número de pessoas vivendo na rua.
Buscam, os tais, soluções momentâneas de seus problemas e dilemas pessoais e familiares.
Suas necessidades são a receita preferida dos chefes de cozinha da política eleitoral. Precisam deles para se perpetuarem no pudê.
A criminalidade tem nessas mazelas sociais o útero, a gestação, o parto e o berço de milhares de novos de seus soldados que, ainda menores, vão empunhar fuzis e assaltar o primeiro que, de celular na mão, der mole.
O que é por fé, não avaliamos; o juízo ou a falta dele, é seu.
Choque de realidade
Uma situação que revolta e chama atenção aconteceu no bairro Promorar, conjunto habitacional da Zona Sul de Teresina, Piauí.
Segundo relato, um celular que estava em cima de uma cadeira, acabou sendo levado de forma discreta.
Nem tomou café
A mulher, dentro da barbearia[i], teria colocado uma sacola sobre o objeto e, em seguida, pegado tudo junto, como se fosse apenas seus pertences. – tomou foi o celular do bom moço.
[i] @saibatudodeteresina









