Ajudar é um ato de inteligência

Nada em troca.
Quem ganha nessa troca, se a interação se manifesta pela comunicação, diálogo e colaboração ou mútua ajuda em atividades e situações das mais variadas espécies?
Interação a sós deve ser obra da mente, na força de vontade que vem da disciplina.
O mundo ideal das ideias fica perfeito na teoria e nas exposições chamativas que as ferramentas techs nos oferecem.
Agora, no silêncio da sala de aula, esvaziada pelo sinal alarmante de que o professor se foi e os colegas o seguiram, chega o zelador, o normalizado anônimo da limpeza, na pele de um gari escolar, nos trajes de um uniforme de duvidoso gosto.
Um atrasildo terá um curso intensivo de altruísmo, pelo qual trafegam, assanhados e barulhentos, loucos por likes, a empatia e a compaixão que os coachs vendem, ou, na bacia das almas, permutam, não como espada de dois gumes, mas fundidas em única moeda, disputando a mesma face. A coroa é do ajudador desinteressado.
O filminho[i], por favor!
Isaías, nome de profeta, é automaticamente filmado pelo sistema de monitoramento por câmeras de uma escola da capital maranhense, São Luís.
Suas qualidades morais e entrega ao rude trabalho o credenciam como um profissional de zeladoria.
O flagrante seria banal, daqueles que não vale uma passada de vídeo com os cílios, para não gastar a ponta dos dedos.
Detendo-se mais no vídeo, uma vassoura é abandonada, caindo ao lado de uma cadeira desocupada. O seu manuseador a despreza. Tinha algo maior a fazer naquele instante.
O auxiliar de limpeza se chamou a ajudar um aluno a concluir uma atividade após o término das aulas.
Epa! O dever lhe chamava para outra obrigação funcionalmente inadiável. A sala teria que estar completamente limpa para a turma do próximo turno.
A inteligência emocional sensível de Isaías prevaleceu sobre o regulamento. Em fração de segundos e sem muita lereia, toma o caderno do retardatário solitário e finaliza as tarefas, copiando toda a lição e atividade dada em aula.
Na mesma pegada seca, em que olho no olho toma feição de coisa de fracos, o beneficiado desenturmado orientava e explicava o conteúdo, em um momento de cooperação entre os dois, produzindo o clímax do conhecimento.
Nas imagens, o colaborador Isaías interrompe as próprias atividades para auxiliar o estudante, que decidiu permanecer na sala mesmo após o sinal para finalizar a tarefa. Enquanto o profissional copiava a atividade, o aluno orientava e explicava o conteúdo, em um momento de cooperação entre os dois.
Louros
Concluída a pendente tarefa da escola – porque aula dada há de ser aula estudada! – o estudante é recebido por uma colega que o aguardava no corredor. O abraço fechava o espaço da sensação de fracasso.
Ele sai de cena. A vassoura o esperava. Outras turmas também.
A escola destacou o episódio como um exemplo de acolhimento e de cuidado dentro do ambiente escolar, ressaltando a importância de respeitar o ritmo e o desenvolvimento de cada aluno.
Isaias, um caba inteligente. Gente.
[i] @oesparrosoma









