Sombras

Assim meu netinho, dois anos e meio, lida com seu medo de sombra, ele a cumprimenta, saúda.
Há um ano, fascinado pela luz, apertava botões e apontava qualquer ponto, qualquer aparelho que brilhasse vermelho verde amarelo. Descoberta a sombra, ele conversa, nomeia esta que aparece na parede, no chão, visivelmente atemorizado com o que ela representa.
Meu netinho cresce em imaginação, as experiências de si mesmo, de seu corpo, e do mundo; sensações se intensificam em volume, forma – fantasias – e a isso chamamos crescimento psíquico.
Ele criou outro nome para a sombra, que tanto medo lhe traz… ele a chama de ‘monstro”. Nós rimos, ele ri, mas continua …de vigia. Afinal, estes monstros não são confiáveis.
Há um modo de aproximar das sombras, ele está descobrindo, quando temos companhia.
O medo não passa, exatamente. Mas, quando acompanhados, nossa solidão e desamparo frente aos monstros não parece tão monstra assim.
Podemos até ficar amigos da própria e alheia sombra, oi tchau sombra…








