Inspirados

Sombras

Assim meu netinho, dois anos e meio, lida com seu medo de sombra, ele a cumprimenta, saúda. 

Há um ano, fascinado pela luz, apertava botões e apontava qualquer ponto, qualquer aparelho que brilhasse vermelho verde amarelo. Descoberta a sombra, ele conversa, nomeia esta que aparece na parede, no chão, visivelmente atemorizado com o que ela representa.

Meu netinho cresce em imaginação, as experiências de si mesmo, de seu corpo, e do mundo; sensações se intensificam em volume, forma – fantasias – e a isso chamamos crescimento psíquico.

Ele criou outro nome para a sombra, que tanto medo lhe traz… ele a chama de ‘monstro”.  Nós rimos, ele ri, mas continua …de vigia.  Afinal, estes monstros não são confiáveis.

Há um modo de aproximar das sombras,  ele está descobrindo, quando temos  companhia.

O medo não passa, exatamente.  Mas, quando acompanhados, nossa solidão e desamparo frente aos monstros não parece tão monstra assim.

Podemos até ficar amigos da própria e alheia sombra, oi tchau sombra…

Maria Luiza Salomão

Maria Luiza Salomão é psicanalista pela Sociedade de Psicanálise de São Paulo e mediadora de leituras, participante do projeto Rodalivro, membro da Academia Francana de Letras. Correspondente da Afesmil (Academia Feminina Sul-mineira de Letras).

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