Mais uma realidade dentro do absurdo

Hoje, “despertei de sonhos intranquilos”. O Kafka em mim teimou em surgir, metamorfoseando, tentou insurgir, se escondendo dentro de estética e estática frases e paráfrases.
Com as mãos trêmulas, comecei a escrever essas palavras, pois senti a necessidade de tirar as amarras.
Ainda não me decidi se terminará em verso ou prosa, pois estou em meio às memórias de você e sua botinha rosa.
Você não está aqui, a insônia e a tristeza têm sido minhas companheiras leais, abri mão de minhas drogas e já nem me lembro mais.
Enquanto a água caía, comecei a ouvir sons irreais, senti falta da minha dignidade, e de tudo o mais, tudo o que tenho perdido durante todo esse tempo voraz, afinal, ele não volta atrás.
Enquanto a água caía, fechei meus olhos e encontrei imagens, viagens, bobagens, de uma vida de leniência, carência. Ou seriam os efeitos colaterais da abstinência?
Hoje, acordei em meio a “sonhos intranquilos”(…) Senti a necessidade de me fechar, e em borboleta me transformar, não só para ir te buscar, mas também pela necessidade de recomeçar.
Recomeçar, mais uma vez, sem me fazer de mudo, dentro da realidade do absurdo.








