Libertina

Tiro os sapatos
Pés no chão
A cerâmica fria
O corpo quente
Lá fora noite
Aqui dentro incandescente
A música me envolve
Danço com ela
Danço comigo
Quem fui se alegra
Quem sou sente estranheza
O ritmo mexe meus quadris
As pernas cansadas do dia reclamam
Vejo meu reflexo na tela cinza da TV
Admiro meu corpo
Fecho os olhos
Esqueço os vários “preciso fazer isso”
“Não posso esquecer aquilo”
Por alguns minutos me permito esquecer
Por alguns minutos nada pra fazer
Por alguns minutos, sou minha
E danço pra mim
Por mim
Pego a taça de vinho
É bom colorir os lábios com a bebida
É bom sentir o líquido gelado escorrendo lá dentro
Balanço os cabelos
A sensação me faz sorrir
A canção vai chegando ao fim
Que belo reencontro
Quem sabe não nos veremos em breve
Vejo ela se afastando novamente, meu outro eu
Sentirei saudade
Silêncio
Despedida Rotina










Solitude, momentos indescritíveis e silêncios que se fazem necessários para uma mente sã…
Perfeito, amei!!!
Que poesia maravilhosa! Quantas de nós não nos perdemos na correria do dia a dia, na rotina. É preciso ter momentos de reencontro com nosso verdadeiro eu que acaba perdido pelo caminho!