Pratinha

O bicampeonato do Uruguai em terras brasileiras fez silêncio no formoso estádio recém-inaugurado. Como era possível o impensável acontecer depois de tanta dedicação naquela monumental obra?
Impensável ou não, bem longe dali e alguns meses antes, Pratinha abria o berreiro com seus vibrantes pulmões, dizendo para o mundo que não precisava mais esperar: ela chegara.
A primeira a ver a chegada fora a parteira Rosa, que olhou encantada para a segunda criança dos Páduas com aquelas bochechas rosadas e bracinhos redondos que davam vontade de morder!
– Essa vai brilhar e muito – comentou a parteira.

E na Fazenda da Mata, Pratinha era toda faiscante, crescendo no seu vestido rosê de organza salpicado, correndo pelo vento, seguida de perto pelos outros nove Paduazinhos mais novos. Quando os onze se reuniam, qualquer lugar era festa, até para beber leite ordenhado na hora.
Apesar de estar muito feliz, Pratinha não conseguia satisfazer sua curiosidade por tudo. Vivia perguntando os porquês, e sempre recebia os frustrantes sim ou não. Ela queria mais! O que custava lhe responderem direito?!
Assim, sempre que podia, espiava pela fresta da janela as aulas que a mãe ministrava para os filhos do patrão. Parecia coisa pouca, mas que para Pratinha se tornaram lagos, rio, oceanos! De ponto em ponto ela aprendeu a ler e aí não quis mais parar.
Costurou uma capa de chuva, bordando o alfabeto e, dizendo um adeus doído, saiu andando pela estrada afora, apenas parando uns quatro anos depois na porta de uma universidade.
Se fez em letras, a pequena professora Pratinha.
E ela brilhava de contentamento enquanto ensinava, rabiscava na lousa uma vida de resplendores. Ah… Pratinha se deleitava e não precisava de mais nada.
Mas houve um dia, vindo de um horizonte alaranjado, em que Ouro, com uma jaqueta escura, perguntou para Pratinha o porquê ela possuía um sorriso tão bonito.
O amor ardeu em Pratinha, se derretendo em filigranas envolventes de Ouro, trazendo ao mundo joias únicas…
E depois de longos anos o Ouro que veio, que ficou, teve que ir…
Pratinha chorou contemplando o céu, mas se aguentou quando voltou a olhar para à terra e viu suas joiazinhas. Secou os olhos, colocou a velha capa de chuva sobre elas, e com um sorriso brilhante disse:
– Ficará tudo bem.









Que conto lindo amei
Muito lindo este conto, eu amei
Um conto muito emocionante 🥹
Parabéns pela escrita 🥰
Que lindo 💘 bela homenagem
Um conto belo e comovente. Parabéns!
Adorei o rabisco, um belo e aconchegante conto
um conto realmente maravilhoso
Que lindo!!!
Fiquei emocionada!!!🥺👏🏾
Esse texto é um brilho suave que atravessa gerações. Pratinha encanta pela curiosidade, pela coragem e pelo amor que transforma perdas em joias. Uma história simples na forma, mas cheia de beleza e significado. 💛