Floresta de Maio

No finzinho de fevereiro de 1987, nasceu Floresta de Maio. E ele não perdeu tempo com essa coisa de crescer: já no outro dia era homem formado, de olhar esperto e caminhar solitário. E antes que chegasse o almoço, tornara-se pastor de ovelhas.
Fez uma casinha em um pequeno sítio nos arredores do Triângulo Mineiro, comprou várias ovelhas de lã brilhante e as deixou em um cercado de madeira.
Toda manhã, muito antes do sol resolver que era hora de levantar, Floresta de Maio acordava, lavava o rosto e tomava um café generoso, para só depois sair de casa pastorear suas ovelhas.
Muitas vezes ele caminhava para lugares um tanto quanto longínquos, voltando apenas à tarde, com muita sede e fome até não se aguentar. Preparava um jantar rápido e, com o restante de energia que ainda persistia, se emaranhava na varanda onde fabricava sua própria cerveja.
Longos anos se passaram numa tranquila e pacata rotina para Floresta de Maio. Raras foram as ocasiões em que procurava algo inédito para fazer, como na época em que se interessou por geografia, expandindo seu mundo dentro de outro mundo, com rios sinuosos em países distantes e inconstantes; talvez até bons lugares para novos pastoreios!
Com estes pensamentos, ele começou a ir ainda mais longe, às vezes tão distante que levava as ovelhas em jornadas de semanas, em cidades desconhecidas que apenas vira em mapas. E foi numa dessas jornadas que, na cidade das Três Colinas, Floresta de Maio sentiu que não mais queria a solidão: no fundo dos olhos de Virtude, uma mocinha sorridente que corria aos pés das Colinas, ele se aqueceu melhor do que se envolvesse em mil velocinos, e de lá não se imaginava sair.
Vendeu algumas ovelhas, mantendo apenas o mínimo e entregando o sítio para um amigo cuidar. Mudou-se para a cidade de Virtude, não se aguentando da saudade pela distância, pelo tempo… por tudo o que aqueles olhos lhe diziam.
Assim, pouco depois de completar 32 anos, Floresta de Maio casava-se com Virtude e se aninhavam no topo de uma montanha.
Um dia, quando o silêncio da alvorada se quebrou por uma risada, Floresta de Maio levantou assustado. Calçou um velho sapato e correu porta à fora. Respirando fundo ele viu, para seu deleite, um menininho cavalgando sobre uma das ovelhas.
– Lipe, você me assustou, meu filho! – aproximou do menino e lhe deu um beijo na bochecha. – Vamos, vou lhe ensinar a tosquiar.
Segurou naquela mãozinha que sumiu dentro da sua e soube, naquele momento, que nunca mais caminharia sozinho.









Ahhh que fofinho, eu espero ansiosamente todos os dias para poder ler… E imaginar cada sena
Reza a lenda que, Floresta de Maio produzia a melhor IPA do Triângulo Mineiro e adjacências 🍻
Que lindo
Suas escritas sempre me remete a algo do meu passado!
Muito lindo!!!
Aah que amor! É uma história sobre um homem que atravessou o mundo inteiro só pra aprender que o destino cabia na palma da mão de um filho (e da Virtude haha).
Muito bom “não perdeu tempo com isso de crescer” hahaha
Quem nasceu em sítio sabe o quanto é real isso, tirando a parte da cerveja, de já ganhar compromisso desde cedo.
Adorei o rabisco, aplaudo e aguardo o próximo…
Sempre um conto lindo com uma liçao, que o temo muda e passa rápido