“Está achando que berimbau é gaita?”

Inhaim?
Tudo mudou nesse mundo. Minha cidade mudou tanto, está tão moderna! O modo de falar, então, mudou ainda mais desde a minha época de Ternurinha para cá.
Fui pra casa, dei capim pro Tedão, meu burro super dotado, e fiquei esperando a visita, uma prima que mora em São Paulo, Leninha, que é secretária na capital, só usa “Doce Cabana”, vive de batom vermelho-puta, unhonas de Madame Mim, ganha dois salários e frequenta loja de R$ 1,99 lá no Brás. Ela é chique. Leninha chegou de táxi no meu barraco e marcamos uma gororoba regada a mé pra noite eu, Leninha e Lolosa.
Chegou a hora. Comprei pé de porco pra tira-gosto, a cangibrina e ficamos as três proseando. Eu encabulada do tanto que mudou o jeito de falar do povo para a nossa época. Passsamos as três a lembrando as gírias do nosso tempo:
- Coisa boa – Balacobaco (hoje é fala de LGBTQIA+ – decorei, meu Deus, graças a Deus)
- Cara bonitão – Pão
- Pombas – Nasceu antes do “porra”
- Coisa legal – Supimpa
- Improviso – Sambarilove
- Ideia errada – Ideia de Jerico
- Bebidinha de fim de tarde – Birinaits
- Não me enche – Vai catar coquinho (substituto do “vai à merda”)
- Negócio chato- Chato pra dedéu
- Pedir para repetir alguma coisa – volta a fita
- Bom dia – Fala, bicho
- Sujeito elegante – boa pinta
- Não entender nada – Não entender lhufas
- Amigo – Chapa
- Pessoa pentelha – chato de galochas
- Bom ou ruim ao extremo – É de lascar
- Arrasar – estourar a boca do balão
- Fácil – fichinha
- Preocupado – grilado
- Acredite – pode crê
- Dinheiro – Tutu
- Foi muito bom – estourou a boca do balão
Semana que vem, Lulu promete que vem com o resto… A lista não cabe aqui de tão grande que é.








