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Debaixo da asa

_ Fio meu não é pessoa preguicenta,
Foi criado pra estudá.

Diz o pai com voz barulhenta –
_ Fio meu precisa é se formá.

Mas nada adianta tanta luta,
Pois o pai não deixa o filho voar.
_ Fio meu tem de ter conduta,
E o negócio da família vai tocá.

_ Pai, tenho outros planos,
Deixa a vida me levar!
_ Ti criei todos esses ano,
Tem dívida cumigo e vai tê qui pagá.

_ Pai, não aceito esse destino,
Fazer carreira de sucesso
Eu sonho desde menino
E aqui não vejo progresso.

_ Ocê fala difíci e empolado,
Inté parece que fica sastifeito
Sabê quin seu pai é burro desmiolado,
Qui fala errado e cheio de defeito.

_ Pai, eu te amo!
Devo tudo ao senhor.
E sua sabedoria é um bálsamo
Quando paraliso de temor.

_ Eu ti amo, meu fio!
Queria qui ocê ficasse aqui,
Mas o mundo é cheio de disafio.
Leve as lágrima, o coração cocê já reparti.

E assim se despediram sem reclamar.
O pai com felicidade no olhar,
Aceitou seu filho voar pela porta de casa.
A cria saiu debaixo da sua asa.

E o filho chorando, sentimentos surgiram.
Seguir honrando o pai e não decepcionar.
Sabe que seus objetivos convergiram
Quer também construir o seu próprio lar.

Michel Pinto Costa

É Oficial de Promotoria do Ministério Público do Estado de São Paulo, em Franca, e bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Franca.

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