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“Criai em mim um coração que seja puro!”

(Sl 50,12)

A festa da Páscoa nasceu no Antigo Israel com uma pergunta: “O que significa este rito?” Para o povo eleito, significava a passagem salvífica de Deus e a passagem dos hebreus da escravidão para a liberdade. Na Páscoa cristã, também perguntamos: “O que recordamos nesta noite?” Celebramos a paixão, morte e ressurreição de Jesus, sua passagem deste mundo ao Pai: ele morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa justificação (cf. Rm 4,25; 1 Cor 15,3-4). Morte e ressurreição de Cristo constituem o mistério pascal, que se prolonga na Igreja com um rito anual, que é a festa da Páscoa, semanal, que é o domingo, dia do Senhor, e cotidiano, na celebração diária da Eucaristia. Este evento está presente na liturgia e na vida, que é a passagem do pecado à graça. O que nos salva é a Páscoa de Cristo, sua imolação e ressurreição, e nossa páscoa, quando procuramos vencer o pecado e viver a vida nova.


A Quarta-feira de cinzas abriu a Quaresma, nossa caminhada rumo à Páscoa, com a exortação: “Convertei-vos e crede no Evangelho”, no rito da bênção e imposição das cinzas. “Voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo” (Jl 2,12-13).

O que nos Impulsiona à conversão é a bondade de Deus.

Logo após o batismo, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. Jejuou durante quarenta dias e quarenta noites. As suas respostas ao diabo: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus… Não tentarás o Senhor teu Deus… Adorarás ao Senhor teu Deus e só a ele prestarás culto” (Mt 4,4.7.10), nos ensinam a vencer o tentador com a luz da Palavra.
O núcleo central das tentações é colocar-se no lugar de Deus e submetê-lo ao ser humano para os próprios interesses. Jesus nos ensina a colocar o Pai no centro e a cumprir a sua vontade. Nenhum bem podemos achar fora dele.

Nos desertos, privações e crises da vida, o Espírito Santo é a nossa força e a nossa resistência contra o mal. Ele nos inspira a olhar para Jesus, seu ato de justiça, sua obediência, sua morte e ressurreição nos justificam e dão sentido à nossa história (cf. Rm 5,12-19).

No retiro quaresmal somos chamados: a um relacionamento intenso, íntimo e profundo com Deus, através da oração pessoal e comunitária; a um relacionamento equilibrado conosco mesmo e com a natureza, através do jejum e abstinência, sabendo ordenar bem as coisas, segundo a vontade do Criador; a um relacionamento fraterno com as pessoas.

Deus, nosso Pai, “dai-nos a graça da conversão, para ajudarmos a construir uma sociedade mais justa e fraterna, com terra, teto e trabalho para todas as pessoas, a fim de, um dia, habitarmos convosco a casa do Céu” (Oração da CF 2026).

Uma boa e santa Quaresma para todos.


Dom Paulo Roberto Beloto

É Bispo da Diocese de Franca

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