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As três virtudes: O Amor, um vislumbre do Eterno

"Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor (1 Coríntios 13.13)

Se há algo que define a existência humana, é essa força indescritível e inexplicável que nos move, nos transforma e nos faz experimentar o divino em meio ao cotidiano. O amor não é apenas um sentimento passageiro ou um desejo efêmero; ele é o reflexo do próprio coração de Deus. Ao criar o mundo, Deus não apenas o formou com suas mãos, mas o soprou com seu amor. E é esse amor que nos sustenta, nos dá vida, e nos chama a viver plenamente.

O amor é o maior de todos os dons porque ele é o único que permanece para sempre. A fé, um dia, se tornará visão; a esperança, um dia, será realizada. Mas o amor nunca acabará. Ele ecoa pela eternidade, porque é a essência de Deus. “Deus é amor”, nos diz a Escritura, e, ao amar, nós participamos desse mistério eterno. Amar é tocar o infinito, é experimentar um vislumbre do que é ser um com o Criador.

Cristo, ao morrer na cruz, nos deu a maior prova de amor. Não foi um ato de grandeza humana, mas a expressão mais pura do amor divino. Amar é dar-se, entregar-se sem esperar nada em troca. E foi isso que Jesus fez por nós. Ele não amou porque éramos dignos, mas porque o amor não pode ser condicionado à dignidade do outro. O verdadeiro amor é incondicional, é generoso, é sacrificial. Ele busca o bem do outro, mesmo que isso custe sua própria vida.

Amar é, portanto, um ato de coragem. Não é fácil abrir o coração, vulnerabilizar-se, expor suas fraquezas. Mas o amor nos chama exatamente para isso. Ele nos desafia a sair da nossa zona de conforto, a atravessar as barreiras do egoísmo e a entrar no território do altruísmo. Quem ama, experimenta a liberdade, porque o amor nos liberta das amarras do “eu” e nos leva ao encontro do “outro”. No amor, encontramos nossa verdadeira identidade, porque fomos criados para amar.

No entanto, o amor não é apenas um sentimento bonito ou uma emoção arrebatadora. Ele é uma escolha. Escolhemos amar, mesmo quando não sentimos vontade. Escolhemos amar, mesmo quando o outro não parece merecer. Porque o amor é mais do que retribuição; ele é uma decisão de agir em favor do bem. Foi isso que Cristo nos ensinou. Ele escolheu amar, mesmo quando foi rejeitado, mesmo quando foi traído, mesmo quando foi crucificado. E é nesse amor que encontramos o sentido da nossa existência.

O amor, em sua forma mais pura, não conhece limites. Ele ultrapassa barreiras, atravessa fronteiras e derruba muros. O amor é a força que transforma o mundo, porque é a única coisa que realmente muda o coração humano. Quando amamos, trazemos o Céu para a Terra, porque o amor é a marca do Reino de Deus. “O maior deles, porém, é o amor”, disse Paulo, e ele tinha razão. Porque no final de todas as coisas, quando tudo o mais tiver passado, será o amor que restará.

Amar é viver em comunhão com Deus. É permitir que seu Espírito nos guie e nos transforme à sua imagem. E quando amamos, participamos desse movimento divino que sustenta todo o universo. O amor é o eco do eterno, o reflexo da glória de Deus, e o chamado mais profundo que podemos ouvir. Amar é mais do que um ato humano; é uma participação no próprio ser de Deus. Porque Ele é amor, e nós, quando amamos, nos tornamos um reflexo do seu amor para o mundo.

André Moreira

Casado com a Ana, pai da Mariana e membro da Igreja da Cidade em Pindamonhangaba. É teólogo, filósofo e historiador, especialista em Administração, Educação, Teologia e mestrando em Ciências da Religião. Autor dos livros "Religiões Comparadas”, e “Capelania”, publicados pelo Ibad. Leciona desde 2019 disciplinas como Filosofia, História e Teologia nos ensinos fundamental, médio e superior. No instagram: @lealmoreira_.

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