Religião

Sobre a tolerância

Por André Moreira

Se alguém não obedecer às nossas instruções dadas por esta carta, não se associem a essa pessoa, para que fique envergonhada. No entanto, vocês não devem tratar essa pessoa como se ela fosse um inimigo, mas devem aconselhá-la como a um irmão. (II carta de Paulo aos Tessalonicenses 3.14,15)

O apóstolo Paulo aprendeu sobre tolerância na prática. Ele sempre foi um exímio e zeloso defensor de suas crenças, mesmo antes de se converter ao Caminho (termo empregado para definir o Cristianismo nos primórdios da igreja Cristã). Nos conta a Bíblia, que muitos anos antes dele se tornar um dos pilares da igreja, ele foi um cruel perseguidor dos seguidores de Cristo. Sua perseguição só cessou quando ele literalmente caiu do cavalo. Daí por diante o perseguidor passou a ser perseguido.

A experiência mística de Paulo no caminho para Damasco, relatada no livro de Atos o ensinou a lidar com o diferente: a opinião e a experiência do outro são relevantes, mas nem sempre serão levadas em consideração; sempre respeitadas mas nem sempre acatadas. E foi pensando nisso que Paulo escreveu: “não se relacionem com aquele que vive o contrário de vocês. Mas também não o tratem como inimigo, antes o aconselhem como a um irmão”. Que pesadelo! Se não conseguimos tratar o nosso próximo como a um irmão, que dirá aquele que discorda de nós?

A orientação do apóstolo Paulo era específica e tratava de um problema que vinha ocorrendo entre os cristãos de Tessalônica, mas com ela podemos refletir sobre a importância da tolerância: costumamos defender aguerridamente nossa opinião e esquecemos de nos esforçar em prol do diálogo. A tolerância não pressupõe passividade: respeitar o outro, não significa aceitar um erro, compactuar com os preconceitos alheios ou concordar com tudo que nos dizem – Se não fomentam valores como ódio, preconceito, segregação ou variações desses tema, as múltiplas opiniões podem e devem coexistir, quer concordemos ou não com o enunciado.

Não cabe a nós o papel de juízes ou inquisidores. Paulo aprendeu na prática a ser tolerante, não apenas por conta da sua fé, mas também porque sua conversão foi vista com desconfiança pelos cristãos. Houve uma resistência da igreja primitiva em aceitar o homem que até bem pouco tempo era um conhecido assassino dos seguidores do Caminho. Assim como Paulo, somos todos réus redimidos pelo amor de Cristo, num tribunal onde não existem melhores ou piores.

André Moreira

Casado com a Ana, pai da Mariana e membro da Igreja da Cidade em Pindamonhangaba. É teólogo, filósofo e historiador, especialista em Administração, Educação, Teologia e mestrando em Ciências da Religião. Autor dos livros "Religiões Comparadas”, e “Capelania”, publicados pelo Ibad. Leciona desde 2019 disciplinas como Filosofia, História e Teologia nos ensinos fundamental, médio e superior. No instagram: @lealmoreira_.

7 Comentários

  1. Olá irmão, amigo e companheiro!
    Top, as vezes temos que olhar pra trás e observar se caímos do cavalo e esquecemos de procurar aquele que tira as escamas dos olhos.
    Parabéns…

  2. Olá Andre!!!!
    Que prazeroso texto….atual e nos leva a uma intensa reflexão.
    Parabéns!!!!
    A cada semana um toque de choque nas relações do cotidiano.
    Texto leve, objetivo e extremamente prazerosa a leitura.
    Abraços.

  3. Olá irmão amigo
    Tolerância é a palavra chave para os dias em que estamos vivendo …Parabéns pelo texto , sei que Deus tem te guiado em tudo que faz.

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