Os Reis Magos

O incenso, para a Sagrada Família, naquele momento de inquietação, não seria tão útil, enquanto também a mirra, perfume usado para a untar cadáveres, deve ter parecido naquele momento algo desnecessário como presente para um recém-nascido. Porém, quando fazemos uma leitura poética e teológica do texto, poderemos encontrar significados importantes naqueles dons, com os quais o evangelista mostra um princípio de fé Cristológica: com ouro reconhece-se o rei, com incenso adora-se a divindade e com a mirra revela uma verdadeira humanidade destinada a morrer, ou seja, vemos aqui de forma antecipada, a sepultura de Jesus. Notamos uma rica “teologia narrativa” presente no episódio dos magos. A poderosa estrutura urbana de Jerusalém é superada pela remota vila de Belém.
A casa de Belém, onde se encontra Jesus recém-nascido e para a qual a estrela nascente do Oriente guia os Magos, é o lugar periférico, marginal, escolhido por Deus para a realização do seu desígnio salvífico: a verdadeira luz deve ser reconhecida Naquele recém-nascido. Ele é a Luz anunciada pelo profeta, indicada pela estrela, testemunhada pelo Apóstolo.
O texto evangélico apresenta a busca dos Magos por Deus: uma busca feita de confiança, um caminho, uma pergunta e, finalmente, um encontro. A confiança de quem se deixa guiar pelos sinais do céu e os obedece; o caminho precário de quem não predetermina o caminho a seguir, mas avança sem saber o destino; portanto, um caminho marcado pela precariedade e pela insegurança, mas animado por uma expectativa ardente; por fim, o encontro, que se realiza sempre como troca de dons e partilha da pobreza.
O caminho dos Magos apresenta, assim, várias analogias com o caminho de Abraão que, obedecendo à palavra de Deus, empreendeu um caminho rumo a uma meta que desconhecia e que o Senhor lhe teria indicado, um caminho marcado pela estranheza e precariedade, e orientados pela espera da conclusão. Os Magos precisam da Torá para chegar ao Messias: a luz da estrela, porém, deve ser acompanhada pela luz da Palavra de Deus, que “é Luz para os nossos passos”. À luz da qual os Magos aceitam ser iluminados opõe-se a escuridão em que Herodes escolhe permanecer. Neste relato do caminho dos Magos, a estrela de Cristo substitui a estrela de Davi. Vemos simbolicamente nos Três Reis Magos, uma busca incansável que culmina em um encontro de adoração: “Buscai e achareis”.
O caminho dos Magos deve tornar-se espiritualmente o nosso caminho de conversão de uma busca perseverante de um encontro com Deus. Cristo veio ao mundo, como Luz, para iluminar a vida, o interior e o caminho de toda pessoa humana.
Fonte: Portal Cerco il Tuo Volto, Pe. Jesús Garcia Manuel.








