

A primeira imagem é a do sal, que serve para dar sabor e conservar os alimentos. Desde os tempos antigos, o sal era o elemento básico de um comércio florescente. Na época dos antigos romanos, os trabalhadores eram pagos com sal (daí o termo “salário”). Ainda hoje, quando queremos indicar o custo excessivo de algo, dizemos que o preço está “salgado”.
Podemos até acolher com entusiasmo o ensinamento de Jesus, mas depois se não o colocamos em prática, que valor terá. Caro leitor, Mateus está nos dizendo que, se nós não vivermos de acordo com as bem-aventuranças, nossa vida cristã se torna improdutiva. Você sente o sal, você o percebe, mas não o vê. O sal não pode ser visto, mas se faltar, você sente imediatamente que a comida está sonsa (sem graça, sem tempero e sem sal).

A segunda imagem é a da luz. A luz, a lamparina a óleo, era tudo para uma pobre casa na Palestina. A luz está ligada à vida: vir à luz ou dar à luz significa nascer. “A luz brilha nas trevas ” (1 Jo 1,5). Deus é luz: uma das mais belas definições de Deus. O rosto da Santa Madre Teresa, cheio de rugas, deixava transparecer a luz de Deus. Quando amamos fraternalmente as pessoas, nos tornamos luz, lâmpada para os passos de muitos. Às vezes preferimos que a fé fique guardada numa gaveta, mas a luz deve ser colocada no castiçal e não debaixo da cama, para que ela brilhe e ilumine todo o ambiente: “Vós sois a luz do mundo”*.
Na nossa vida há coisas essenciais de que necessitamos, e para os antepassados a luz e o sal eram considerados como tal: sem a luz a vida não seria possível e sem o sal a vida não teria sabor. Os cristãos tem a missão de ser sal e luz no mundo, ou seja, viver os valores do Evangelho favorecendo a humanização da sociedade, evitando a decomposição e desconstrução da mesma.
Continuemos a refletir um pouco mais sobre a segunda imagem utilizada por Jesus: “Vós sois a luz do mundo”. No quarto evangelho, o próprio Jesus diz de si mesmo: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12). Assim como a luz do Sol é essencial para a vida na terra, os cristãos, “filhos da Luz”, são essenciais no mundo. A comunidade cristã está associada a Jesus Cristo e Mestre: não brilha com luz própria, mas recebe e reflete a luz do seu Senhor nas trevas da humanidade, ou seja, a Comunidade Cristã mostra que “tem uma luz no final do túnel”. A imagem da cidade Santa, Jerusalém, sobre o Monte Sião, perceptível à distância como ponto de orientação, ilustra bem a missão da comunidade cristã no mundo: iluminar e orientar os caminhos da humanidade. Essa atração é um dever, uma responsabilidade, porém, não deve assumir uma ostentação triunfalista a ponto de que este brilho chegue a cegar os outros. Conhecemos bem a tentação que nos assalta muitas vezes: dizemos que queremos “dar testemunho” e assim apresentamos aos outros a nossa vida, as nossas obras, as nossas histórias, para receber aprovação e aplausos. O discípulo autêntico não celebra a si mesmo nem à realidade a que pertence, mas celebra o poder e misericórdia de Deus e a sua graça nunca merecida. Quem deve ser glorificado em vossas obras, diz Jesus, é o “vosso Pai que está nos céus”, pois é Ele a origem de toda boa ação*.








