Religião

“É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!” (Lc 21,19).

Lucas 21,5-19 narra uma catequese de Jesus sobre o “fim dos tempos”, descreve a destruição do Templo de Jerusalém e outros sinais. O Senhor orienta e ajuda os discípulos a discernir sobre o reto comportamento diante de uma difícil realidade, pede atenção aos falsos profetas, serenidade e firmeza em meio às catástrofes, perseguições, crises e dúvidas: “É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida” (Lc 21,19). Ele é o Senhor que liberta, pois revela a verdade sobre Deus e a humanidade. No meio de tantos acontecimentos, só há uma fonte de salvação: a esperança em Jesus Cristo. Permanecendo firme na fé, na vigilância, prontidão, vivendo intensamente e na santidade o momento presente, praticando o amor e a fraternidade, a comunidade cristã tem a sua segurança.

A literatura apocalíptica é comum nas Sagradas Escrituras e própria nas celebrações do fim do Ano Litúrgico. Apesar da estranheza de sua forte linguagem, descrição de sinais catastróficos, tem uma bela e significativa mensagem: ajuda a revelar, a tirar o véu, a clarear as coisas, a discernir e compreender os desígnios de Deus e qual o melhor caminho a seguir. Transmite coragem e atenção, confiança e esperança na presença do Senhor da história, que conduz o seu povo fiel para a vida e a salvação.

Jesus glorioso virá no fim dos tempos para julgar os vivos e os mortos e inaugurar “novos céus e uma nova terra, nas quais habitará a justiça” (2 Pd 3,13). E então, “revelará a disposição secreta dos corações e retribuirá a cada um segundo suas obras e segundo tiver acolhido ou rejeitado sua graça” (CIgC, 682). “Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos, Senhor, a vossa morte, enquanto esperamos a vossa vinda!”, rezamos na liturgia. Quando Deus se revela, sua bondade, justiça e misericórdia, vão além das ameaças. Quem se manifesta não é um estranho, mas Alguém que conhece a existência humana e se solidarizou com ela.

O profeta Malaquias proclamou o Dia do Senhor, que será “abrasador como a fornalha” (Ml 3,19), quando o mal será queimado como palha. O justo receberá a salvação: “Para vós, que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo a salvação em suas asas” (Ml 3,20a).

Quem é cristão, vive uma esperança ativa: “Trabalhando, comam na tranquilidade o seu próprio pão” (2 Ts 3,12).

Rezemos uns pelos outros, pois “a oração da Igreja e a oração pessoal alimentam em nós a esperança” (CIgC, 2657).

Dom Paulo.

Dom Paulo Roberto Beloto

É Bispo da Diocese de Franca

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