A Espiritualidade da Quaresma

A Quaresma, “mistério dos quarenta dias” é a memória dos quarenta dias em que Deus fez chover sobre a terra no tempo de Noé (cf. Gn 7, 4 ) ; memória dos quarenta anos de êxodo no deserto do antigo Israel (cf. Dt 2,7; Jos 5,6); memória do tempo de provação para o povo no deserto [cf. Sl 94 (95),10] durante o qual comeu o maná (cf. Ex 16,35); memória dos quarenta dias do encontro de Moisés com Deus no Sinai (cf. Ex 24,18; 34,28; Dt9.9.18; 10.10); memória da viagem de Elias ao monte Oreb (cf. 1 Reis 19,8); memória do desafio de Golias contra Israel (cf. 1Sm 17,16); memória da pregação profética de Jonas em Nínive (cf. Gn 3,4); memória do tempo de provação passado por Cristo no deserto (cf. Mc 1,13) e das tentações (cf. Mt 4,2; Lc 4,2); memória do tempo da sua subida a Jerusalém (cf. Lc 9, 51-56).
O deserto é o lugar da prova, da luta contra os espíritos do mal; é o lugar onde se experimenta a precariedade, passando a partir dessa experiência a confiar na providência de Deus. É também o lugar do encontro com Deus, o lugar onde podemos ouvir a sua voz, dialogar com Ele.
O deserto é convencionalmente o lugar de retiro, onde o homem enfrenta as escolhas essenciais da vida. Assim como o povo de Israel amadureceu sua vocação como povo de Deus no deserto, Jesus, antes de iniciar sua missão, foi para o deserto. No entanto, o Senhor, ao contrário de Israel, supera a tríplice tentação dos bens materiais, do sucesso e do poder, tentação em que o homem havia caído no Jardim do Éden (Gn 3,1-7): onde sucumbiu o antigo Israel, aquele que simboliza o novo Israel resiste e vence. As três tentações levam Jesus a rejeitar o poder e prestígio, o recurso fácil aos milagres e sobretudo a sedução da idolatria.
A tentação age no coração humano antes de tudo como frustração (“se me falta uma coisa, me falta tudo”: Gn 3,1). A pessoa pensa: “Eu não sou feliz porque eu não tenho isso ou aquilo”. A criatura humana se vê atraída por aquilo que é proibido. Cedemos às tentações e nos iludimos dando evasão aos nossos instintos e desejos no caminho da posse, do prazer, do acúmulo, do poder, do consumo… Mas o resultado disso é mortal e o homem se vê escravo daquilo que o conquistou. Porém, Jesus Cristo reduziu à impotência aquele que tem o poder da morte, o diabo, libertando assim os homens que, por medo da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida (Hb 2:14-15). A vitória de Jesus é interior e espiritual: vence o tentador através da palavra de Deus.
Fonte: Portal Cerco il Tuo Volto, Pe. Jesus Garcia Manuel.








