Será que você é capacitista?

Capacitismo, ainda é uma expressão pouco conhecida, que representa discriminação e preconceito contra pessoas com deficiência. Age de maneira capacitista quem considera as pessoas com deficiência como inferiores, incapazes e ignora as suas necessidades.
Infelizmente, fazemos parte de uma sociedade que, historicamente, discrimina alguns grupos de pessoas por conta da sua condição. Isso acontece, por exemplo, com pessoas negras, mulheres, pessoas com deficiência, dentre outros.
Para se ter ideia, na Grécia antiga, em que a valorização era do corpo visto como belo, perfeito, apto para a guerra, permitia-se a eliminação sumária de pessoas deficientes, consideradas fora do padrão. A evolução aconteceu aos poucos, passamos da fase de extermínio, da total exclusão, para o período da integração e posterior inclusão social.
No Brasil, várias leis foram publicadas, para garantir dignidade das pessoas com deficiência, pois, por aqui, temos milhares de pessoas que precisam vencer barreiras diárias para ter acessos. O CENSO do IBGE de 2010, ultimo CENSO publicado, apontou a existência de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, 24% da população. O CENSO passou por revisões, e em 2017, o órgão indicou 17 milhões.
São pessoas cuja trajetória histórica comprova a existência de preconceito, exclusão, e que são muitas vezes, ainda são vistas pela sociedade a partir do déficit, do que lhes falta.
Apesar de falarmos tanto em inclusão social, participação das pessoas com deficiência e acessibilidade, a ausência delas em diversos espaços não é sequer percebida.
A título de exemplo, temos a questão do mercado de trabalho, que mesmo havendo uma lei que obrigue as empresas que possuem mais de cem empregados, contratar pessoas com deficiência, são tímidos os avanços. De acordo com dados do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), a taxa de participação das pessoas com deficiência no mercado de trabalho é de 28,3%, menos da metade do índice registrado entre as pessoas sem deficiência, que é de 66,3%.
Como mudar esse cenário?
A mudança do comportamento coletivo passa diretamente pela mudança individual. Pare para pensar:
Quantos amigos com deficiência você têm?
Para quantas pessoas com deficiência você deseja feliz natal ou dá presentes de aniversário?
Quantas você segue nas redes sociais como alguém que realmente admira pelo trabalho/talento?
Com quantas você trabalha ou gostaria de trabalhar?
Veja que, mesmo sem ter intenção direta, excluímos por ação ou omissão, repetindo comportamentos sociais automáticos, perpetuando o ciclo invisibilidade.
Diante de tudo isso, eu preciso te encorajar a começar! São pequenas ações diárias que podem resultar em importantes transformações. Fale sobre capacitismo e inclusão das com pessoas para sua família, seus amigos, colegas. Provoque reflexões, lembre que pessoas consideradas típicas hoje, sem deficiência, podem estar do outro lado da estatística amanhã, e que contribuir para a construção de uma sociedade que recebe, acolhe e que respeita o outro, é dever de todos nós.
Quando você se responsabiliza e dá o primeiro passo, grandes coisas podem acontecer!
As opiniões aqui publicadas não refletem necessariamente a opinião da Folha de Franca










Parabéns Dra Cristiany por mais um artigo esclarecedor.
Parabéns Cris sai textos muitos importantes para este debate que é essencial.