Escravidões

DESDE sempre o homem escraviza outro,
Em nome de que, de quem?
– Prestígio, poder, posses, sadismo?
~Podres poderes~, diz Caetano.
Apodrecemos em oceano de desamparo-onipotência.
Brasil inventado por brancos europeus.
Índios, depois, negros, o que são? Mercadorias.
Gentes, não.
Eleitos os que cá chegaram
Escravos os que aqui habitavam.
Horror escravizar o outro a se mortificar escravo,
(quem sabe, quem sente, quem viu, quem vê?)
“Alguéns”.
Mentalidade se constrói, na ruína de muitas vidas.
Em nome de que? De quem?
-Eu, rei, dono, supremo, superior,
-Tu, dependente, espúrio, inferior.
A podridão infecta todos,
Em nome de que, de quem, não sei.
O que sei – liberdade ninguém tem
Nenhum nobre valor sobrevive
sustentado em podres poderes.








