Quanto vale o seu tempo?

“Há uma tese que foi Prêmio Nobel no passado, que diz que o ser humano nasce com a mente criativa e morre com a mente jurídica. Assim, o ser humano nasce criando e morre, muitas vezes julgando, a vida dos outros ou a dele mesmo. Então, nasce feliz e morre triste, em um padrão. Por isso acredito que, quanto mais você conseguir estender sua mente criativa, mais você terá uma vida feliz”, diz o administrador de empresas e palestrante ribeirão-pretano Fábio Ennor Fernandes, de 45 anos.
Ele lançou, neste mês o livro “Quanto vale o seu tempo?” (Editora Gente) que trata, exatamente, como o próprio título sinaliza, desse que é o bem mais precioso e impalpável da atualidade: o tempo.

O autor conta que a escrita desse livro fluiu. “Quando estamos felizes, com vibração positiva, as coisas acontecem. E, para mim, será legal se ele ajudar ao menos uma pessoa a ter outros pontos de vista. Já faz quase 20 anos que faço palestras para incentivar as pessoas a refletirem e a pensarem sobre o valor do tempo e escolhas; daí veio o incentivo para escrever. Há cerca de 15 anos que penso no livro, mas não tinha pressa. Quando foi finalizado, a Editora Gente aprovou e eu fiquei muito feliz, pois é uma editora que sempre admirei muito.“
O lançamento foi em 10 de setembro, um mês importante, pois trabalha o Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio e valorização da vida. Um tema muito importante para mim e no livro vocês vão entender o porque.
Penso que tem gente que acaba tirando a sua própria vida aos poucos, ficar reclamando é uma delas. Vejo as pessoas queimando vida dentro da sala de uma empresa, com uma rotina infeliz, sem um dia a dia legal. Para quê? Está valendo a pena? Quanto vale isso que estão pagando para você enterrar sua vida?”, provoca ele.
Fábio Ennor Fernandes concedeu entrevista à Folha de Franca para falar desse e de outros temas relevantes da atualidade. Fábio acredita que estejamos vivenciando a “Era da Generosidade”. Leia o que ele tem a dizer.
Folha de Franca – Como e por que começou a trabalhar com Desenvolvimento Humano?
Fábio Ennor Fernandes – Todo mundo, de certa forma, trabalha com desenvolvimento humano. Então, acho que tudo que fazemos é, no fim, para melhorar e desenvolver o “ser” humano. Quando estamos fazendo isto, resolvemos problemas e procuramos melhorar o mundo em que vivemos. No meu caso, amo fazer conexões genuínas, agregar valor, promover encontros e mudanças na vida das pessoas com quem me relaciono.
Folha de Franca – Quais são as suas influências nessa área?
Fábio Ennor Fernandes – Eu observo muito as pessoas. Não precisa ser ninguém famoso pra me inspirar, eu sou um observador da vida, do cotidiano. Estou atento ao que a pessoa faz de melhor, como fala, como é sua postura, seu marketing pessoal, sua coragem, o que me salta aos olhos em relação a ela e vou me inspirando e trazendo para as transformações do meu dia a dia.
Folha de Franca – Por que especificamente o tema Tempo e como você o desenvolve? O que você tem proposto, discursivamente falando, nesse viés?
Fábio Ennor Fernandes – Eu acabo falando muito de tempo. Pois, no meu estilo de vida, tempo com liberdade é o que mais importa. Mentalizei e planejei exatamente qual seria e como seria o dia ideal que eu gostaria de colecionar em minha vida, portanto, meu objetivo era ser dono do meu próprio tempo. Desta forma, montei um plano para conseguir ter tempo, aí então me dedicar intensamente ao que realmente me traz alegria. Esse plano, que conto no livro, começou com o simples desejo de querer acordar sem a obrigação de horário. E o mais importante, seria além de acordar a hora que eu quisesse, seria não ter ninguém preocupado com isto, ninguém julgando. Afinal, o que importa realmente são os resultados.
Folha de Franca – De que forma colocou isso em prática?
Fábio Ennor Fernandes – Num primeiro momento, comecei a escolher a hora que eu iria acordar e, depois, vi que dava para ir além e escolher o que eu queria fazer no dia, onde eu queria morar, qual intensidade queria viver e como conseguiria meus objetivos, de forma sustentável.
É sobre esta estratégia de vida que eu proponho uma reflexão, essa equação entre o que é realmente importante e como eu invisto meu tempo.
Quando você tem tempo e liberdade para escolher o que fazer, acabamos fazendo o que gostamos, dedicando com coração e portanto, amplificando exponencialmente as chances de dar certo. Para mim, o sucesso parte daí.
Folha de Franca -Fale sobre o ser humano da contemporaneidade. E sobre o ser humano que está por vir, considerando que o futuro está pautado nas escolhas de hoje.
Fábio Ennor Fernandes – O que vejo hoje são muitas pessoas ansiosas, depressivas e temos dados de estudos que apontam que estas são as principais mazelas do século. e muitos ligam estas condições diretamente a falta de dinheiro.
Eu não acredito, até porque se isso fosse diretamente proporcional, a gente não ia ver tantas pessoas com dinheiro consumindo cada vez mais calmantes e antidepressivos.
O que acredito é que temos de rever nossos valores fundamentais, nos perguntando como é que você realmente gosta de passar o dia, o que quer de verdade, o que te traz alegria?
Às vezes, as respostas a estas perguntas já dão um cenário de que está mais fácil do que se imagina ser dono do próprio tempo. Não estou me referindo a quantidades monetárias, e sim de prioridades.
Veja o que aconteceu na pandemia, uma chacoalhada em muitas escolhas. Tivemos de repensar o que realmente importa, rever nossos valores e foi uma oportunidade de corrigir a rota.
Eu já trabalho home office há 20 anos, porque eu queria trabalhar em casa, na hora que eu quisesse, priorizando por exemplo, o convívio com a minha família.
Quando a gente faz realmente o que gosta, por mais que não tenha virado um bilionário, ao chegar na reflexão final, talvez olhar para traz e ver que teve uma verdadeira coleção de bons momentos, quem sabe pode chegar a conclusão que teve uma vida 80% próxima do seu ideal. Legal! Por outro lado, vivendo longe dos seus valores fundamentais, fazendo o que não quer por semanas, anos, ou até décadas, pode até dar certo financeiramente, mas no fundo, deu errado porque não era a vida que gostaria de ter.
Se ajudarmos as futuras gerações a repensarem o que lhes faz sentido, o que é fundamental, imagino que teremos uma sociedade menos ansiosa e depressiva.

Folha de Franca – Fale sobre esta questão aplicada à sua própria trajetória.
Fábio Ennor Fernandes – Eu não me considero um profissional que trabalha na área do “tempo”. Eu me considero, sim, um ser humano que coloca sua filosofia de aproveitar a jornada, sempre buscando bons momentos, em tudo que vou fazer. Coerência entre pensar e agir.
Desde que abri minha distribuidora de alimentos, eu objetivei trabalhar por tempo e não por dinheiro.
Aliás, é muito importante reforçar que não existe um jeito certo ou errado, se está feliz está certo, se está infeliz, talvez de para recalcular a rota.
No “meu” plano de vida, acredito que não posso trocar diretamente meu tempo por dinheiro. Eu tenho que agregar valor de uma forma independente de quantas horas eu entrego. Assim posso ter várias frentes que me permitem ter esse tempo livro.
E com esse tempo livre, me dedico em ajudar pessoas através das minhas palestras, mentorias e agora, o livro. Esse é o tipo do trabalho que tem uma moeda melhor que dinheiro, a ocitocina. O hormônio que o corpo libera quando ajudamos alguém.
Me considero um “vivedor” que gosta de bater papo sobre vida e incentivar as pessoas a saírem do automático.
Folha de Franca- Parafraseando um documentário da Netflix intitulado ‘Quanto tempo o tempo tem?’ é possível responder a essa pergunta?
Fábio Ennor Fernandes – Eu acho que dá para ter a ótica de que cada um tem uma forma de lidar com o tempo. E é esta exatamente a pergunta do livro, “Quanto vale seu tempo?”
Eu acho que cada um valoriza seu tempo de uma forma. Aliás vamos concordar que tem gente que coloca o tempo valioso de vida, na lata do lixo.
Se ao se questionar, perceber que está precisando recalcular a rota, eu acho que vale algumas reflexões: essa é a única maneira que tenho para chegar na minha vida ideal? Para ter um recurso para subsistência, será que esta é a única maneira que tenho?
Às vezes, vejo que muita gente já entra no piloto automático com base em uma fonte de renda que arrumou, um emprego, uma profissão, um cliente. Se acomoda e acaba agindo como se fosse a única alternativa.
A minha opção foi diversificar e ter várias histórias da minha vida, se uma história está mais ou menos eu vou atrás de outra e assim vou buscando conexões, abrindo mão de outras.
É isso aí, no relógio é igual para todo mundo, mas penso que aquele tempo que você usa com o que gosta, faz o tempo jogar a seu favor, produzirá boas lembranças, essa é a jornada ideal.
Folha de Franca-O seu trabalho se comunica com a ideia de Ócio Criativo, de Domenico di Masi?
Fábio Ennor Fernandes – Demais, tem muito a ver com o “ócio criativo”.
Eu montei um plano de vida de trabalhar por tempo e manter minha mente ativa e criativa, buscando coisas legais. É preciso haver o equilíbrio entre o trabalho e os momentos de descanso, como explicava o sociólogo italiano, para termos melhores resultados e capacidade inventiva.
Então, como eu faço para ser criativo? Eu gosto de curtir, ter liberdade, fazer o que quero a hora que eu quero, humildemente falando. Toda minha vida é pautada nisso.
O auge é estar bem todo dia.
Eu acho que as melhores respostas, vieram da minha filha, quando eu perguntei: “E aí, filha, quanto está valendo seu tempo? Ela pensou, achou esquisita a pergunta, mas respondeu: “Meu tempo não tem preço, não”.
Então é isso aí, não tem preço mesmo, o meu também não. O título de uma das minhas principais palestra é: “Atitude e Bom Humor: Palavras Fundamentais”. Traduzindo, “Se está ruim, muda. Não reclama”.
Se fosse para deixar uma mensagem resumida, acredito de verdade que estamos na Era da Generosidade. Recentemente ouvi uma frase que diz: “Se você não é generoso por caráter, seja por inteligência.” Às vezes, somos generosos por caráter e outras vezes por inteligência e está tudo bem, o que importa é ajudar, tudo que a gente ajuda volta para gente de alguma forma, mesmo que seja em outro momento ou intensidade, mas que volta, volta.
Por isso, coloquei esse propósito na frente de todos os meus projetos. Sendo assim, se você leu até aqui e se identificou com algum ponto ou sentir que eu puder te ajudar em alguma forma, vamos caminhar juntos!









Que excelente entrevista, com Fabio Fernandes! Parabéns!