O debate que eu vi e o que eu queria ter visto
Do alto da minha rejeição absoluta a ambos os candidatos, assisti ao debate da Band à procura de algum encantamento por essa disputa árdua e insuportável de se assistir. Não mudei de opinião. Foi uma briga sem fim, um espetáculo deprimente do que de pior a democracia pode proporcionar.
Eu já tinha dito que, sem fact-checking em tempo real, não iria funcionar. Não deu outra.
No último debate entre Trump e Kamala Harris, os moderadores introduziram uma novidade: interromper o candidato quando suas mentiras e fake news pudessem ser contestadas com fatos. Isso muda a dinâmica do debate. Do jeito que foi ontem, os moderadores se tornam meros espectadores de um espetáculo grotesco.
Com base no que vi, eu inovaria também: se o candidato não responder à pergunta e usar o tempo que a emissora lhe disponibiliza para falar o que bem quiser, tira-se o som dele. O horário é para debate. Tem que haver perguntas e respostas.
Orientaria melhor os candidatos quanto ao espaço que devem ocupar no palco. Ficar aparecendo atrás do outro atrapalha nossa atenção. Permitir que o candidato que está com a palavra se movimente, tudo bem, desde que, ao terminar, volte a aguardar sua vez atrás do púlpito.
A plateia tem pouquíssima importância diante do número de espectadores que acompanham o debate pela televisão. Que se contratem seguranças para retirar os baderneiros que não saibam se comportar. Ou, simplesmente, que se exclua a plateia.
E, por último, deixar o cronômetro visível no palco durante todo o debate, e não apenas nos últimos 30 segundos.
Será que estou pedindo muito? Afinal, o debate deveria servir para que nós, eleitores, pudéssemos conhecer melhor as propostas dos candidatos e fazer nossas escolhas com consciência. Do jeito que está, fica difícil.






