Neoliberalismo
O Dicionário Oxford Languages explica neoliberalismo como: doutrina, desenvolvida a partir da década de 1970, que defende a absoluta liberdade de mercado e uma restrição à intervenção estatal sobre a economia, só devendo esta ocorrer em setores imprescindíveis e ainda assim num grau mínimo.
Doutrina
Os teóricos neoliberais defendem a mínima cobrança de impostos e a privatização dos serviços públicos. A doutrina neoliberal prega a menor participação possível do Estado na economia, dando preferência aos setores privados. Basicamente, é dentro de tal estruturação que boa parte dos países do mundo têm funcionado, econômica, social e agora em termos mesmo de mentalidade que toca as subjetividades. Para além de uma teoria econômica, o neoliberal está se amalgamando às subjetividades e se transformando num modo de ser.

Mentalidade de empresa
Em seu livro “El ser neoliberal” (Gedisa), sem tradução para o Portugês, Pierre Dardot e Christian Laval mostram como a nova racionalidade capitalista criou o sujeito que reproduz em sua vida pessoal a mentalidade de empresa. “Empresário de si mesmo. Iludido pelo consumo. Alienado da natureza. Suscetível a seitas que o impedem de desabar“, dizem Dardot e Laval.
O ser da Economia
“O utilitarismo (…) definiu uma nova figura do homem, uma figura antropológica específica: o ‘homem econômico’. Essa figura nasceu de um discurso que explica como o ser humano trabalha e concebe o homem como uma pequena máquina de prazer e sofrimento, um ser de cálculo que é governado em todas as coisas pelo seu interesse. E que, pela mesma razão, é governável por meio do referido interesse. Essa invenção da ficção do homem econômico foi o fundamento e a estrutura para justificar e promover o que mais tarde foi chamado de capitalismo”, dizem eles.

Gestão do sofrimento?
No livro “Neoliberalismo como gestão do sofrimento” (Editora Autêntica) o psicanalista Christian Dunker estende o pensamento dos pesquisadores Dardot e Laval botando foco nas questões do psiquismo e mostrando como um conjunto de práticas de gerenciamento do mal-estar. Isso se liga à ideia extremada de louvação à meritocracia, à individualização da culpa, o repúdio ao fracasso depressivo, à moralidade rígida e à criação de um estado de permanentes crises e reformulações (perder para depois ganhar, quase de modo maníaco), muito próprias do neoliberalismo. Isso tudo consegue emaranhar num mesmo cadinho (como se extensões) questões como angústia e produtividade.
Crítica
Esse livro de Dunker critica os manuais motivacionais, porque cheios de palavras de ordem e com conhecimento muito raso do que move o ser humano; aponta a falácia nas tais obras de auto-ajuda e questiona as narrativas de sucesso e coaching, bem como todos esses discursos que produzem sujeitos estruturados como uma empresa. Quem quer ser tratado como empresa? O humano é muito mais que isso. Esses dois livros são excelentes referências para esta reflexão.









Boas dicas, Vanessa! Uma massificação interior do homem por valores q o veem como máquina de produção e máquina de consumo: autômatos sem vontade, como disse Freud em Psicologia das Massas e Análise do Eu, 1921. Cem anos este ano, o texto q não envelheceu…
Neoliberalismo é um termo pejorativo utilizado por críticos ao liberalismo e proponentes de centralização coletivista estatal.
O liberalismo clássico contém várias vertentes e talvez o homem racional descrito nas obras do “liberalismo utilitarista” de John Stuart Mill se assemelha a essa tese do homem econômico, porém nenhum autor liberal jamais fez essa afirmação.
A ideia central do liberalismo é da liberdade do homem para ser e agir com autonomia própria, sem coerção do Estado. Sugiro leitura das obras de Hayek e Mises, e perceberá que há uma legítima defesa do individualismo de cada pessoa, contra o coletivismo estatal centralizado que reduz a individualidade ao coletivo.
Quando se pensa na individualidade versus coletivismo, me diga você qual dessas vertentes enxergam o homem como “máquina de produção e máquina de consumo”. É exatamente o planejamento centralizado (comunismo/socialismo/fascismo) que tem claras pretensões a reduzir o ser humano ao trabalho que ele pode realizar para o todo, uma mentalidade que reduz a pessoa a apenas um número dentro do coletivo.
Sim, Maria Luiza, o mundo, a humanidade em retrocesso.
Freud atualíssimo e necessário para compreendermos e combatermos toda a mecanização do humano.