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“Estai sempre prontos a dar razão da vossa esperança”

(1 Pd 3,15)

O tema do amor é central no Evangelho de João, mas no início aparece poucas vezes. Somente a partir do capítulo 13, quando trata da glorificação de Jesus, há uma catequese constante sobre o mandamento novo. O que o autor quis transmitir, ao falar do amor “agape” quase só no fim do Evangelho? O amor é um aprendizado, e Jesus é o nosso professor. O livro da glória inicia falando que Jesus amou os seus até o fim (cf. Jo 13,1). Logo a seguir, narra a cena do lava-pés, revelando que o amor é uma oblação, um sacrifício.

“Se me amais, guardareis os meus mandamentos…Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14,15.21). Amar é acolher, guardar e observar os mandamentos. Jesus estabeleceu entre ele e os seus discípulos um outro tipo de presença: Deus habita o coração de quem ama. Na prática do amor, eles revelam-se como seguidores de Jesus e praticantes da palavra.

Jesus nos comunica a sua vida pelos sacramentos e pelo Espírito Santo. A água do Batismo, o gesto do lava-pés, o sangue da Eucaristia e o Paráclito são a nossa salvação. Quando mergulhamos nessa água e deixamos Jesus lavar os nossos pés, quando comungamos do seu corpo e sangue e formos ungidos pelo Espírito Santo, aprendemos a amar, pois recebemos a própria vida de Deus, que é amor. A experiência de comunhão com o Senhor é uma escola de amor e nos torna aptos para amar. Comer e beber do amor divino é o que nos fortalece na vida espiritual e nos capacita para a missão.

“Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conhecereis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós” (Jo 14,16.17). “Pedro e João impuseram-lhes as mãos, e eles receberam o Espírito Santo” (At 8,17). Jesus “recebeu nova vida pelo Espírito” (1 Pd 3,18).
Estamos nos preparando para acolher aquele que é chamado em nossa defesa, do qual procuramos a consolação. Não vamos procurar consolo em coisas passageiras. Deus é o nosso sustento. Só ele basta. Sendo consolados pelo Espírito, procuramos consolar e aliviar a aflição, confortar a tristeza, ajudar a superar o medo e dissipar a solidão de nossos irmãos e irmãs.

Rezamos por aquelas que, por amor, nos deram a vida: as nossas mães. Que Maria Santíssima, Mãe de Deus, Mãe da Igreja, Mãe das mães, interceda por cada mãe no seu caminho de santidade, ajudando-as nos momentos difíceis a experimentar a força e a luz do Espírito Santo, e a reproduzir em suas vidas a fisionomia de Jesus.

“Aclamai o Senhor, ó terra inteira, cantai salmos a seu nome glorioso, dai a Deus a mais sublime louvação” (Sl 65,1-2). Ele é a razão da nossa esperança.

Dom Paulo Roberto Beloto

É Bispo da Diocese de Franca

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