Ensinei Maria Zeferina Baldaia a correr

Inhaim?
Só para começo de conversa, fraca é que eu não sou. Pego a colmeia de abelha e chupo o torrão pra comer mel. Moro no interior, onde nasci, cresci e pelo andar da carruagem, vou morrer. Importo não, velório em cidade do interior que dá ibope.
Meu maior feito foi ter ensinado Mariz Zeferina Baldaia a correr. Ela vivia descalça correndo de mim no meio dos canaviais de Ribeirão Preto, sei lá onde mais. Tomo umas cachaças e me esqueço Mas a bichinha correu tanto de mim descalça que virou campeã sem usar tênis (eu disse tênis). Tenho utilidade. A Zefa (apelido carinha da Maria Zeferina) nunca falou isso em entrevista, mas aprendeu a ser velocista correndo de mim. Nega as origens.
Morar numa cidade de Minasssss, assim que se fala: Minasssss, tem hora que é bom (dependurar contas nos botecos) e ruim (não conseguir arrumar um marido rico ou alguém que pague a conta do boteco). Por falar em alguma coisa na faixa, vesti uma legging prata, pus uma sandália de salto Anabela e uma blusa que deixava a volúpia à mostra. Vi um moção de botina no pé, camisa mostrando o peitão cheio de cabelo, medalhão no pescoço, cinto com medalhão enorme com um monte de cabeça de gado e chapéu preto de onde saía uma tira.
Cheguei nele pra rolar um rola e rola:
“Você quer me pagar um uísque?”
E ele me disse:
“mulher, você não vale uma pinga”.
Os homens são mesmo assim: Têm mau gosto. E aquele, que pra mim é “macho-fema”, nem reparou que eu usei bobes o dia inteiro para deixar os cabelos com cacho igual caracol.
Continua na semana que vem. Não fiquem tristes…
Uma semana passa rapidão, mais depressa do que a Maria Zeferina Baldaia.








