Pietá

(Carta escrita a uma mãe que, ao perder seu filho, me perguntou se a dor da perda passaria)
Não vai passar. Ao menos não hoje. Você vai chorar muitos dias, seu coração vai parecer destruído, por dentro e por fora. Você vai sentir raiva de tudo e todos, vai sentir raiva das mães felizes com seus bebês saindo da maternidade, vai sentir raiva até de si mesma por ter engravidado. Pessoas te dirão que é normal perder filhos e você vai desejar que eles percam seus próprios filhos já que isso é normal. Vai chorar dias e noites e vai implorar a Deus que tire do seu peito tamanha tristeza.
Com o tempo você vai retomar sua rotina, mas a dor estará lá escondida incomodando você. Você vai imaginar os dias e semanas que envolvem a gestação, como seria tudo isso e se um dia esses dias acontecerão na sua vida. Você vai se cansar de ser consolada e as pessoas vão esquecer que um dia você perdeu seu bebê. Mas você não esquecerá, nem o bebê e nem o sofrimento. Você aprenderá a ter a dor como silente companhia, tristezinha, chata e que encontra você de novo quando você menos espera: pode ser numa música, num perfume, numa foto, ou até na festa de aniversário daquela sua amiga que passou pelo mesmo que você e hoje já tem três filhos… “Três filhos? Quem hoje em dia tem três filhos?” – você se perguntará indignada pensando que o excesso foi pra compensar a falta…
E a vida vai passar assim, se arrastando, devagar, até que num belo dia, quando menos esperar, estará grávida (mentira, você vai fingir que não está esperando, mas vai ficar louca a cada menstruação atrasada e vai surtar no dia em que o teste de farmácia der positivo). Seu sorriso vai estampar o rosto outra vez, mas vai ser aquele sorrisão feliz, não aquele automático que você aprendeu a dar só pra agradar os outros… Vão te perguntar o que você tem e você só vai sorrir sem dizer nada porque aprendeu que gravidez é um verbo que se conjuga a três (mamãe, papai e bebê!) enquanto não bater a mais pura certeza no seu coração de que está tudo bem com essa coisinha gostosa que você carrega com você escondidinha na barriga.
Você aprenderá a medir o tempo em semanas e descobrirá que a gente deixa de dormir muito antes de ouvir o primeiro choro do bebê… Mas e a dor? Aí a dor vai passar? A dor nunca passa, mas a alegria faz morada e aprende a falar mais alto que a dor. A alegria vai falar todos os dias com você através da sua bebê… Olharemos para o passado compreendendo que a dor nos ensina a dar mais valor às pequenas coisas que a vida a dois nos dá… são coisas ruins de passar, mas boas de contar, pois o futuro é presente que Deus insiste em nos dar.









Só Deus transforma a tristeza em alegria..
Perfeito!!!
A dor de quem a sente sem Deus é destruidora, mas suportá-la tendo Deus ao lado, traz esperança e a esperança, traz paz e a paz subjuga a dor.
Pode ser que a dor encontre um “lugarzinho” na alma ou coração pra ficar escondida, mas nada mais que isso. E enquanto aquela dor se esconde, as bençãos do Senhor se multiplica, mesmo porque, elas não se fazem seguir de dores.
Parabéns mais uma vez André. Belo texto!