Religião

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6)

O 5º Domingo da Páscoa nos oferece uma joia, encontrada no Evangelho de João. No contexto da celebração da Ceia com os Doze, no cenáculo, Jesus realizou um gesto desconcertante, lavando os pés dos discípulos. Foi um ato de amor, serviço e humildade.

Após o gesto, temos uma espécie de catequese, com exortações, conselhos, orientações e orações do Mestre aos seus, suas últimas lições, antes de sua morte. Diante do vazio provocado pela sua “suposta” ausência, Ele os consolou: “Não se perturbe o vosso coração” ( Jo 14,1). A perturbação é coisa do inimigo. As palavras de consolo de Jesus são dirigidas também a nós hoje: não há o que temer, pois Deus nunca nos abandona. O Senhor está presente com o seu Espírito, nosso companheiro inseparável de viagem, remédio para curar o medo e a solidão.


“Tendes fé em Deus, tende fé em mim também” (Jo 14,1). Se há um pressuposto na vida cristã, este é a fé, um bem precioso que recebemos da Igreja, razão de nossa alegria e consolo em Cristo Nosso Senhor. Por esta virtude teologal acreditamos em Deus, no seu amor e em tudo o que Ele nos revelou e que a santa Igreja, através do seu Magistério, nos propõe a crer. Sem a fé, não há vida cristã. Ela é dom do Espírito, mas precisa ser proclamada, acolhida, aprofundada, celebrada e vivida.


“Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6). Jesus é o único caminho certo que nos conduz ao Pai e à salvação. Ele é a verdade que nos liberta e a verdadeira vida, pois nos conduz para Deus.


“Quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas” (Jo 14,12). A ida de Jesus para o Pai torna fecunda a tarefa dos discípulos, possibilitando que os mesmos realizem prodígios maiores. O Espírito Santo é a fonte e a força dessa missão. As obras maiores que a Igreja pode realizar, através dos seus ministros ordenados, são os sacramentos, milagres maiores do que os feitos por Jesus, enquanto estava na terra. A justificação é a obra mais excelente do amor de Deus, manifestada em Cristo Jesus e concedida pelo Espírito Santo.


Mesmo diante dos desafios, a comunidade cristã cresce, e torna-se importante e necessária a partilha dos serviços na missão, cujo centro é o anúncio da Palavra e o cuidado com os pobres (cf. At 6,1-7). Somos chamados a nos aproximar de Jesus Cristo, pedra viva, escolhida e honrosa aos olhos de Deus. Pelo batismo participamos da sua vida, pertencemos a Ele, somos templos de Deus, sacerdócio real, nação escolhida e santa (cf. 1 Pd 2,4-9).


“Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos!”

Dom Paulo Roberto Beloto

É Bispo da Diocese de Franca

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