Crise de Autoridade

Um Filho disse que ia para a Vinha e não foi, já o outro disse que não ia, mas depois se arrependeu e foi. Será que não há em nós um filho que quer causar uma boa impressão diante de Deus, diante dos homens! Alguém sempre disposto a agradar, a obedecer. Mas apenas como ficção. Apenas na aparência. Mas há quem sabe também em nós um filho agressivo, um eterno adolescente, inquieto, hostil e rebelde.
O pai representa a norma, a palavra que delimita. O filho tem que buscar seu próprio espaço diante da incómoda figura do pai. Os dois filhos mencionadas na parábola evangélica expressam, portanto, duas atitudes que coexistem em nós ou mesmo duas reações que se alternam em nossas vidas em relação ao bem ou à vontade de Deus. Em alguns, prevalece o filho que se adapta e que não tem coragem de desobedecer, em outros surge o filho rebelde que quer se afirmar.
O primeiro filho mencionado na parábola é capaz de reconhecer o que sente por dentro: não quer ir para a vinha! Poderíamos dizer também que este filho é um homem livre, capaz de mudar o seu propósito porque encontra um bem maior, é flexível, sabe abrir mão da sua primeira reação emocional. Já o segundo filho é habitado pela hipocrisia. Esconde o que sente dentro, talvez porque não quer decepcionar ou porque teme as reações dos outros.
Resistimos a fazer a vontade de Deus, porque às vezes temos a impressão que Deus é um estraga prazer, pois a Vontade de Deus parece impedir a nossa realização. Esta é uma falsa imagem de Deus. Nós não vemos Deus, mas estaremos em plena comunhão com Ele, quando fazemos a sua vontade.
Escreve Santo Agostinho: “Que homem é capaz de julgar outro homem? O mundo está cheio de julgamentos precipitados. Aquele de quem deveríamos nos desesperar de repente se converte e se torna excelente. Aquele de quem esperávamos muito, de repente nos decepciona e se torna péssimo. Nem o nosso medo nem o nosso amor são estáveis” (do discurso sobre os pastores).
Jesus foi o primeiro a descer à vinha, sim foi Ele a pisar o lagar e teve suas vestes tingidas de sangue. Ele primeiro se fez homem, encarnando-se, sem privilégios, rejeitando vantagens, para salvar a todos, para conhecer a todos, para amar a todos. Quem sabe para nós seja Melhor observar a vinha na varanda do que arriscar a pele.
São Paulo encoraja-nos a ter “os mesmos sentimentos de Cristo” e, portanto, a segui-lo no caminho da humildade e da obediência até à morte, abraçando a sua cruz para depois sermos exaltados com ele na glória celestial.
Fonte: Portal Cerco il Tuo Volto: Dom Giovanni D’Ercole, Paolo Curtaz e Gaetano Piccolo.








