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“Se os francanos chutarem o balde agora, não teremos bom resultado”, diz médico da Vigilância

Franca enfrentou nos últimos 15 dias o primeiro período de lockdown desde que a pandemia da covid-19 começou, em março do ano passado. Ao longo dos últimos 15 meses, a população vivenciou diversas fases restritivas, períodos com mais casos e mortes, outros momentos mais amenos. Em maio, depois de registrar 97 mortes em março e até então esse ser o mês mais mortal da pandemia, a cidade viu esse número quase dobrar e passar para 186 vidas perdidas ao longo de 31 dias.

Em uma tentativa de frear a transmissão e melhorar a situação no sistema municipal de saúde, que vivia um colapso com dezenas de pessoas esperando vagas de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e leitos de enfermaria, com alguns, inclusive, morrendo sem conseguirem um leito, o prefeito Alexandre Ferreira (MDB) decretou o lockdown.
Ao longo de 15 dias, apesar da enxurrada de liminares de empresas que buscaram na Justiça permissão para quebrar as regras do decreto municipal, a cidade alcançou o índice de 50% de isolamento no feriado de Corpus Christi, dia 03 de junho. Nos outros dias, o índice de isolamento variou entre 35% e 49%.

Na última terça-feira, 08, quando anunciou que não estenderia o lockdown, Alexandre Ferreira informou que o índice de transmissão caiu na cidade, passando de 1.57 para 1.05. A expectativa, porém, é que os efeitos do lockdown sejam sentidos apenas em algumas semanas.
Para o médico coordenador da Vigilância Epidemiológica de Franca, Homero Rosa Júnior, a partir desta sexta-feira, 11, quando passam a valer as novas regras de flexibilização, a população precisará continuar seguindo os protocolos, usando máscara e evitando aglomerações ou não haverá resultado. “Nenhuma pandemia é controlada apenas pelo poder público. Nenhuma pandemia será controlada sem ajuda da população. Se os francanos chutarem o balde agora, não teremos resultados”, disse.

Segundo o médico, Franca viveu no lockdown um momento inusitado e complexo e assume que seria difícil, ao menos em um primeiro momento, a aderência total da população ao isolamento. “Muitos ainda negam a pandemia e nem estou falando de questões políticas, mas, sim, de um modo geral. Têm aquelas pessoas que criam uma forma de barreira acreditando que a pandemia não existe, mas ela está aí”, disse. “Mas, de uma forma geral, tivemos uma participação positiva da população, só não pode acabar”.

Para Homero Rosa Júnior, as mortes devem diminuir daqui a 10 ou 20 dias, mas, mesmo assim, ainda é preciso muita atenção e manter os cuidados. “A variante que temos neste ano é muito mais forte que a anterior e não cansamos de alertar sobre isso. Se antes o paciente ficava internado duas semanas, agora fica três. E são casos mais graves, com um índice maior de intubação e mortes.”

Para o médico, caso a população afrouxe os cuidados, como aconteceu depois das medidas restritivas de fevereiro, a situação poderá ficar ainda pior. “O lockdown foi uma medida de desespero, se não fosse decretado, começaríamos a contar mortos descontroladamente. Sabemos que estamos todos cansados, fisicamente e mentalmente, mas é fato que precisaremos de três a quatro meses, no mínimo, para que as coisas evoluam e isso dependendo do avanço da vacinação.”

A vacinação, para o especialista, é a única forma de conter a pandemia. Por isso, ele fez um apelo para que as pessoas que tomaram a primeira dose e não retornaram para a segunda (cerca de 700 pessoas) procurem rapidamente as unidades de saúde. “As pessoas precisam entender que a vacina é importantíssima. Independente dos efeitos colaterais, que são poucos, estar vacinado é benéfico. Vacina é saúde”, disse.

Membro do Comitê de Enfrentamento da Covid-19 em Franca, o médico afirma que as medidas efetivas para enfrentar a doenças estão sendo tomadas, mas reforça que os cuidados devem ser mantidos pela população. “Usar máscaras, sei que ninguém quer, é ruim, é feia e incomoda, mas é só com ela que podemos nos proteger e proteger aos outros. Evitar aglomerações, sair apenas quando necessário, usar álcool em gel e se cuidar”, finalizou.
A expectativa, segundo o Governo do Estado de São Paulo, é que toda a população a partir dos 18 anos tenham recebidos ao menos a primeira dose até o mês de outubro. O esquema vacinal deve ser completo para todos até o mês de dezembro.

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