Ponteio

Viola é igual ao roxo ipê:
Serve pra curar qualquer doença.
Se dói em mim, dói em você,
Seja qual for sua crença.
Tem gente boa de bico,
Que tem coceira na língua.
Adora arrumar um fuxico;
Maldade em pessoa, é íngua.
São as dificuldades da vida
Que fazem crescer o sujeito.
Ir cedo pra luta é a saída.
Estudos são luxo, não há jeito.
Deus ajuda quem madruga!
Começou cedo sua cantoria.
Com a versatilidade de Ana Ruga
Teceu-se no palco e na coxia.
Seus dons e talentos de artista
O fizeram cantador e tocador.
Novinho de tudo, viu com a vista,
Que Boy e Formiga teriam valor.
Os meninos de São Joaquim da Barra
Foram se arranjar na grandiosa capital.
Entre os ensaios e uma boa farra
A fama veio pros moços do arraial.
Dupla que se preza, no sertanejo,
Vira e mexe quebra o pau!
Rolando, aproveitando cada ensejo,
Abraçou a carreira como sua nau.
Bom com ele foi o tempo
Por saber que tinha capacidade.
O que fazia era passatempo
Pra um jeca-tatu da cidade.
Esse mesmo caboclinho, nosso vizinho,
Desembestou em sua vida artística.
Virou astro de televisão, o passarinho,
O contador de causos em sua mística.
O seu modo de declamar
Um poema ou uma estória.
Vai órfão nos tornar
Com sua ida à Glória.
Gostaria que fosse fake a notícia
Que machuca os peitos do fã.
Prende a morte, seu polícia!
Deixasse o hoje pra amanhã.
Corre um boato aqui donde eu moro
Que as mágoas que eu choro
São mal ponteadas …
Eternamente, Rolando.








