Meu primeiro e sempre amor…

Sim… eu procurei por ele nas redes sociais e o encontrei, aproximadamente quinze anos depois da loucura que foi me apaixonar por aquele menino. Passei horas olhando para sua foto, senti falta dos seus cabelos compridos que eu amava, mas encontrei o mesmo olhar que me encantou no primeiro dia.
Eu ainda me lembro como se fosse hoje. Aula de história, professor Chico, a sala não estava muito organizada, pra não dizer que reinava uma bagunça geral. Eu me sentava na terceira carteira, na fila de frente ao professor, próximo a mim, meus amigos inseparáveis e com quem eu me divertia muito. De repente o mundo parou, não havia ninguém mais à minha volta, apenas ele, apesar de toda a barulheira, eu ouvia só aqueles sininhos famosos tocando, imagino a cara de tonta que eu devo ter feito e ficado por alguns longos minutos. É engraçado, mas foi exatamente como se vê nos filmes, tudo acontecendo em câmera lenta, a música celestial, as luzes, o meu coração explodindo no peito e a prova de que existe amor à primeira vista! Imediatamente procurei onde havia uma carteira vazia. O universo conspirava a meu favor, havia uma logo atrás de mim, e as outras todas longe demais. Eu precisava de sorte e talvez, pela única vez na vida, eu a tive!
Ele passou por mim, que hipnotizada, acompanhei cada movimento dele. Era tanta energia eclodindo de mim que eu podia vê-la ao meu redor. Dali por diante, tudo foi tão rápido e para mim tão intenso. O “resto” daquela escola, por sinal enorme, não existia mais. Nada mais tinha importância… apenas estar ali perto dele, sentindo sua presença tomar conta de todas as minhas horas. Logo veio a festa de encerramento do ano… uma brincadeira aqui, outra ali e o pobre do meu coração vivia uma disritmia sem fim.
E enfim, aconteceu! Lá, no famoso cantinho do pátio da escola. Só de lembrar sinto as pernas bambas como naquele exato momento. Ele já estava lá, esperando. Eu só precisava atravessar as enormes portas de madeira, descer os cinco degraus, atravessar metade do pátio… mais uma vez o efeito da câmera lenta. Meus amigos me empurravam, rindo, gritando, mas como no primeiro dia em que o vi, não existia ninguém mais, o mundo estava em stand by… congelado… mudo.
Ali, naquele colégio, ficou guardado nosso primeiro beijo, o primeiro de muitos, sempre tão apaixonados. Ele era o garoto perfeito, o sonho de toda adolescente, e eu que não era muito de “grude” e de coisas “melosas”, me tornei uma boba, totalmente dependente dele.
Estudávamos no período da manhã, mas quando as aulas acabavam, não queríamos saber de voltar pra casa. Ficávamos ali, sentados na calçada, debaixo das árvores que ainda estão lá, como testemunhas de todo o amor que eu senti. Todas as vezes em que passo por aquele lugar, um sorriso surge em meus lábios, meu coração já surrado pela vida ousa bater mais forte e sempre uma lágrima turva o cenário e salta displicente dos meus olhos, levando um pedaço dessa saudade.
Éramos companheiros de uma forma que nunca mais vivi com outro alguém. Eu voltava pra casa quando já começava a entardecer, e assim que chegava, o telefone denunciava que ele continuava presente. E ainda que ele não ligasse, que não nos falássemos mais naquele restante de dia, ele nunca estava ausente pra mim. Sua imagem me acompanhava sempre, em todos os segundos, em cada sonho, tomando todo meu ser.
Bom, mas a vida resolveu não facilitar tanto as coisas para nós. O ano chegou ao fim, ele iria se mudar e eu… eu queria me acabar junto com o ano. Pra que viver? Nada mais tinha sentido. Eu não ouviria mais sua voz, não sentiria seus braços me envolvendo, não teria mais seus beijos e todo o carinho e a proteção que só ele me transmitia. Não veria mais seus olhos brilhando e olhando pra mim.
Meus dias se resumiam em segurar a foto dele nas mãos, vagando pela casa e chorando infinitamente. Às vezes, sentava na cama e ficava horas olhando para o telefone, como se eu fosse capaz de fazê-lo tocar apenas com a minha vontade, e então ter aquela voz do outro lado, pra acalmar a minha dor. Um grande pedaço de mim morreu sem ele, algo que eu nunca mais consegui recuperar. Parecia coisa de adolescente, aquelas paixões que da mesma forma que chegam rapidamente, também se vão. Mas não foi assim que aconteceu.
E então nunca mais senti seu toque em mim, seu toque físico, porque a forma como ele tocou minha alma, isso nunca se apagou. Todo mundo me dizia que essas “paixões adolescentes” passam, mas não passou, e não passou porque não era só uma paixão breve que logo seria esquecida, não pra mim. Era amor. Eu o amava mais a cada batida do meu coração, ainda que distante, ainda que nunca mais o visse. Eu sabia do meu amor, mas hoje, bem mais madura, depois de tanto tempo, tenho ainda mais certeza, porque quando comparo os meus sentimentos em cada relacionamento que vivi, sei que com ele foi tão mais forte.
E então tantos anos depois nos encontramos através das redes sociais e com a ajuda (não solicitada) de um amigo querido que daria um ótimo investigador! Eu voltei a ter esperanças e esperar um reencontro, uma nova chance, a oportunidade de retomar todo aquele amor e vivê-lo por muito tempo mais. Eu esperei… esperei por mais de um ano que nossas vidas pudessem estar mais uma vez unidas, mas não aconteceu! Doeu novamente com a mesma intensidade de antes, doeu viver aquela ilusão, doeu saber que eu nunca seria mais do que alguém do outro lado da tela do celular, que ele tinha construído sua vida e eu não tinha o direito de invadi-la, doeu ter consciência de que eu precisava me afastar. Eu precisava também reconstruir a minha. Ainda dói!
Algumas pessoas são para sempre, alguns amores são para sempre… e ele é um desses que nunca deixará meu coração, é um inquilino fiel, cativo, pra eternidade. As lembranças daquele pouco tempo em que estivemos juntos nunca abandonarão a minha memória, estarão aqui pra me trazer um sorriso cheio de saudade, às vezes algumas lágrimas, e a certeza de que alguns momentos valem toda uma vida!










As delícias da adolescência!
Belo texto!
Belo texto e historia de vida Jaque! Eita vida!!!
É assim, cheia de momentos que nos levam a experienciar situações maravilhosas e outras não nem um pouco, podem ser breves ou duradouras… eternos são os sentimentos de vivemos em cada um deles.
Que saibamos a cada dia viver, e viver de forma consciente o presente, que não permitamos que medos do futuro ou memórias do passado possam intervir nas nossa escolhas de hoje, de agora!!!
“É preciso saber viver”!
Coisa nada fácil.. mas, pode ser gostosa, leve, divertida a depender de como enxergamos, aceitamos, mudamos ao viver as situações do presente!
Que o presente seja um presente adorável sempre…