‘Meu trabalho é para o povo francano’, diz Claudinei da Rocha
Por Carolina Ribeiro
O desejo de ajudar os outros e oferecer oportunidades para aqueles que realmente precisam. Foi pensando nisso que o vereador Claudinei da Rocha (MDB) resolveu entrar para a política. “Eu vi que se ocupasse um cargo poderia chegar mais longe e ampliar o trabalho social que já realizava.”
O atual presidente da Câmara Municipal de Franca, que cumpre o seu terceiro mandato no Legislativo, teve uma infância humilde, morando na Vila São Sebastião, com os pais e irmãos. Começou a trabalhar aos 7 anos para ajudar nas despesas da casa e desde então nunca mais parou. Se mudou para o Jardim Aeroporto III com 24 anos e lá passou a atuar em ações sociais.
Casado e pai de duas filhas, o diácono da Assembleia de Deus criou, junto com o cunhado e amigos da igreja, um trabalho de prevenção com crianças e adolescentes da região Sul e que hoje está crescendo. Através da Associação Amigos Solidários são realizados os projetos Brincando com a Música, Brincando com a Bola e Brincando com o Balé. A expectativa é que, assim que possível, devido a pandemia, o projeto atenda, em média, 800 alunos na Vila São Sebastião, Paineiras, Tropical II, Leporace e Aeroporto II e III.
O vereador e presidente da Câmara falou com a Folha da Franca e contou um pouco do seu início na política, o trabalho que realiza, as dificuldades provocadas pela pandemia e sobre a relação entre Legislativo e Executivo.
Folha de Franca – Como a política entrou na sua vida?
Claudinei da Rocha – Eu acho que a pessoa já nasce com a política no sangue. Você já cresce querendo poder mudar as coisas, ajudar os outros e oferecer mais oportunidades para aqueles que precisam. Eu sinto isso desde pequeno, vim de uma família pobre. Nasci e fui criado na Vila São Sebastião e sempre quis estudar e construir um futuro melhor. E foi o que fiz, quando me casei, já tinha conseguido comprar a minha casa no Jardim Aeroporto III. Na época, junto com meu cunhado Davi Cardoso e alguns pastores da Igreja Assembleia de Deus, criamos uma casa de recuperação para adolescentes. Mantivemos por um tempo, mas depois, sem apoio, acabamos fechando. Foi em um momento que procurei ajuda de um prefeito que notei que se fosse vereador com certeza conseguiria fazer mais. Com essa convicção me candidatei pela primeira vez e tive 897 votos. Isso foi em 2004. Na eleição seguinte, em 2008, tive 1.222 votos. Já em 2012 fui eleito pela primeira vez com 2.272 votos. Mas, antes mesmo de ser eleito, já colocamos em prática o projeto Brincando com a Música e com a Bola, que atende crianças como forma de prevenir. Ao invés da casa de recuperação, optamos por trabalhar na prevenção destas crianças e adolescentes.
FF – Em termos de divulgação, vemos pouco sobre o seu trabalho, mas, mesmo assim, o senhor não somente foi reeleito como também chegou à Presidência da Casa de Leis. A que atribui esses bons resultados?
Claudinei da Rocha – Eu tenho um trabalho muito forte na questão social, ajudando as crianças e adolescentes. A preocupação que temos é formar essas crianças e adolescentes e conduzi-los ao sucesso, ao caminho do bem. Isso é um fator muito importante, né? Que marca na vida das famílias que são atendidas. Esse histórico ajuda a firmar o nome Claudinei da Rocha. E tem o atendimento via WhatsApp. Eu faço a maioria dos meus atendimentos via WhatsApp ou via redes sociais, porque eu busco sempre me colocar no lugar da pessoa e atender ela o mais rápido possível e encaminhar a demanda, quando é o caso, para o setor responsável. Vereador é o represente do povo e tem que estar à disposição. Além disso, trabalho com a sinceridade. Se for possível, faço, se não, explico o motivo de não dar certo.
FF – O seu mandato é dirigido a um público específico, uma vez sua votação é muito boa na Zona Sul, principalmente nos bairros Aeroporto e Santa Bárbara?
Claudinei da Rocha – Eu sou evangélico e faço parte da Assembleia de Deus, sendo hoje o único vereador da igreja. A Assembleia de Deus tem mais de 50 igrejas. Sou presente no Aeroporto, onde moro, mas tive mais de 900 votos fora do Complexo Aeroporto. Tive votos em todas as regiões. Entendo que tenho, sim, um trabalho na região Sul, mas atendo a cidade toda. Estou sempre disponível, para ouvir e buscar as demandas e, como atendo pelas redes e WhatsApp, alcanço a cidade toda. Meu trabalho é para o povo francano.
FF – Quais são as maiores demandas e desafios do Presidente da Câmara?
Claudinei da Rocha – Muitos nomes importantes já passaram pela presidência da Câmara e me lembro com carinho deles. É um imenso orgulho hoje eu ocupar esse lugar. Como presidente, quero modernizar a Casa de Leis. Tenho apenas um ano na função e ele está sendo um ano difícil, porque é um ano que estamos vivendo um momento de pandemia. Estou trabalhando para resolver os problemas e também na estruturação da Câmara. Uma das coisas que será feita, vai dar mais transparência ao trabalho dos 15 vereadores; nós teremos aqui na Câmara uma estrutura de redes sociais. O objetivo é que a população conheça mesmo o trabalho do vereador, o que está na nossa competência. Tornar mais próximo esse contato, vereador e população.
FF – Ser vereador de situação é melhor que ser de oposição ao prefeito, ou isso não tem peso na busca de novo mandato na Câmara?
Claudinei da Rocha – Meu perfil é trabalhar na base do governo. É claro que eu, como vereador, jamais vou aprovar algo que não seja para o bem da população. O vereador não tem poder de execução, por isso estar na situação vai ter mais facilidade. Por exemplo, eu não sou um vereador de oposição, que goste de estar em clima de guerra. Eu não tenho esse perfil, sou da paz e amor. Gosto de resolver as coisas no diálogo e dar o retorno positivo e rápido.
FF – A pandemia causou impacto no trabalho dos vereadores? Qual a principal dificuldade?
Claudinei da Rocha – Acredito que todos têm conseguido manter o atendimento realizado à população de forma alternativa. Não temos o mesmo atendimento de antes, mas as redes sociais, o WhatsApp, esses meios facilitam o contato com as pessoas. É claro que existe um distanciamento maior, já que é preciso seguir as normas sanitárias e garantir a segurança de todos contra o coronavírus, mas, em geral, acho que o trabalho tem sido bem-feito.
FF – Quais medidas de prevenção a Câmara adotou?
Claudinei da Rocha – Seguimos todas as orientações do Plano SP, atendendo sempre as determinações de cada fase imposta pelo Governo do Estado. Neste momento retomamos a Tribuna Livre, mas o acesso do público ao plenário segue vetado. Além disso, são seguidas as normas sanitárias. É obrigatório o uso de máscara, distanciamento e álcool em gel.
FF – Como está o atendimento ao público?
Claudinei da Rocha – Atualmente o atendimento ao público é feito pelos canais oficiais da Câmara Municipal de Franca. Redes sociais, e-mail e telefone. A população não tem dificuldade em encontrar o vereador e acho que isso é fundamental neste momento.
FF – Qual tem sido a contribuição dos vereadores para reduzir os impactos da pandemia na cidade?
Claudinei da Rocha – Estamos todos focados atuando na aprovação de projetos encaminhados pelo prefeito neste sentido. Por exemplo, teve a aprovação para que Franca entrasse no consórcio para comprar a vacina, assim que possível. Alguns vereadores estão atuando junto ao Governo do Estado de São Paulo para facilitar essa questão do consórcio. Foi criada a Frente Parlamentar para acompanhar essa questão da vacinação. E isso foi antes de agilizar a aprovação e liberação de ações que buscam conter e combater o avanço da covid-19. Esse grupo é muito atuante. Acho que a parte de cada um está sendo feita e muito bem-feita. Não vejo pouca vontade em nenhum dos 15 vereadores, ao contrário, vejo muita ação.
FF- A economia da cidade foi muito afetada. Os pedidos de ajuda aumentaram muito?
Claudinei da Rocha – Demais, não só aqui na Câmara, mas diretamente para os vereadores. Vemos muitas pessoas passando necessidade, precisando mesmo de uma cesta básica, sem nada em casa para comer. Recebo pedidos diariamente. Infelizmente não conseguimos fazer essas doações, mas tenho orientado todos que procuram os caminhos para receber da Prefeitura que já doou mais de 5 mil cestas básicas e está preparando uma nossa remessa para atender essas famílias que estão em situação de vulnerabilidade.
FF – Como está a relação do presidente e dos vereadores com o prefeito?
Claudinei da Rocha – No início deste mandato vejo todos unidos em prol da cidade e isso é o mais importante. Não sei se é por causa da pandemia, em que todos querem ajudar o prefeito a sair dessa situação difícil, mas o que vejo é muita união. Os 15 vereadores trabalhando com um só objetivo que é resolver essa situação crítica. Todos focados em um só objetivo. É claro que a oposição pode aparecer, sim, mas depois que passar essa pandemia as coisas voltaram ao normal, aí pode aparecer, mas o que eu vejo neste grupo são todos com vontade de resolver o problema da cidade.
FF – Quando vai sair a reforma do prédio da Câmara?
Claudinei da Rocha – Essa é outra situação que já vem se arrastando há algum tempo. O teto do plenário já caiu e já fizemos o projeto de viabilidade. Vamos analisar os custos e ver qual será o melhor momento para realizar essa reforma. Ela é necessária, mas precisamos ver se agora, com o que enfrentamos com a pandemia, é o momento de fazer essas melhorias.




