‘É uma forma de ressignificar essa dor imensa’, diz mãe que perdeu filha com câncer e criou projeto Pitouquinha
Transformar a dor em amor. Foi isso que motivou a analista judiciária aposentada e estudante de psicologia, Raquel Saad, de 53 anos, a criar junto com a irmã, Rose Saad, o projeto Pitouquinha, que produz e distribuí toucas para crianças que estão em tratamento contra o câncer.
O calendário marcava o dia 28 de outubro de 2017 quando a filha de Raquel, Marina Saad Reigada Aery, que na época tinha 30 anos, foi diagnostica com câncer em estágio bem avançado. Apenas dois meses depois, no dia 28 de dezembro de 2017, Marina não resistiu e faleceu. “Durante os dois meses de tratamento a minha filha pensou muito sobre o propósito da doença. A gente refletia bastante sobre isso. E, um dia, nós recebemos um vídeo que mostrava o trabalho de uma enfermeira do Alasca, que faz peruquinhas de princesa para crianças que em tratamento oncológico e ficamos encantadas. A Marina… o olho dela brilhou na hora e ela disse que queria fazer. Eu falei ‘sim filha, quando você melhorar, aprendemos e faremos sim’. Só que ela partiu e eu fiquei”, conta.
No ano de 2018, quando Raquel nem lembrava mais desse desejo da filha, surgiu a oportunidade dela participar de uma campanha em Ubatuba (SP), cidade onde morava na época. “Uma instituição da cidade, que oferece apoio a paciente oncológicos, realizou uma campanha de inverno para fazer gorrinhos de lã para doar no GACC (Grupo de Assistência à Criança com Câncer) de São José dos Campos e me lembrei do desejo da Marina. Pensei que ainda não eram as toquinhas temáticas, mas era uma forma de ajudar.”
Neste período, antes de fundar a Pitouquinha, Raquel seguiu ajudando projetos para crianças em tratamento oncológico. Em setembro de 2019, quando voltou a morar em Franca, fundou o projeto Pitouquinha junto com a irmã. “No dia 22 de setembro de 2019, eu e minha irmã Rose decidimos fundar o nosso projeto. O nome Pitouquinha foi uma homenagem para a minha filha, que desde criança tinha o apelido de Pi, então fizemos essa junção e virou a Pitouquinha.”
Quando o projeto foi criado, Raquel fez uma parceria com o Iansa (Instituto de Apoio Nossa Senhora Aparecida). Toda quarta-feira, ela e a irmã iam até a entidade onde passavam a tarde com o pessoal do artesanato. Hoje, o Pitouquinha conta com aproximadamente 15 voluntários. Alguns fazem a base (o gorrinho simples), outros enfeitam e têm aqueles que fazem tudo. “Nós recebemos doações para manter o Pitouquinha. Nós trabalhamos exclusivamente com a linha barroco número 6, que é 100% algodão, para fazer a base. Para não machucar a cabecinha das crianças que já está mais sensível. E, para fazer os enfeites, usamos a lã mollet, então estabelecemos esse padrão para fazer as Pitouquinhas com o melhor material para as crianças”, explica Raquel.
Mesmo durante a pandemia a produção de pitouquinhas não parou. A primeira grande entrega do projeto foi feita na área de oncologia da Santa Casa de Passos (MG), em fevereiro do ano passado. “Logo depois veio a pandemia e os hospitais não estavam nem recebendo doação. Mas não paramos de produzir”.
Assim, durante o inverno de 2020 o projeto confeccionou 320 gorros que foram distribuídos para lares de idosos e também para instituições que acolhem crianças carentes.
Já em outubro do ano passado, o Pitouquinha ainda entregou 110 pitouquinhas em Brasília (DF) e 50 para o hospital AC Camargo. Outras 80 toucas de lã foram entregues para o projeto Somos da Rua, da francana Luisa Vissotto, que era amiga de Marina. No total, foram entregues 640 toucas em 2020.
“No início de março deste ano eu conheci o tio Fininho, que faz várias campanhas para ajudar crianças que estão em tratamento oncológicos. E aí eu o convidei para conhecer o nosso projeto e ele veio até Franca. Ele já levou 58 gorrinhos para o Hospital do Amor, em Barretos. E como ele tem livre acesso nessas instituições, vai ajudar bastante, então ele tem sido nosso porta-voz”, disse Raquel, que já encaminhou mais 52 pitouquinhas para serem doadas.
Agora, com a chegada do inverno novamente, os voluntários voltarão a fazer as toucas de lã para serem doadas para as instituições que recebem idosos e crianças. “O Pitouquinha nasceu com o objetivo de aquecer as cabecinhas e os corações das crianças em tratamento oncológico, mas confesso que o coração que sai mais aquecido é o meu. Realizar esse sonho, que foi sonhado junto com a minha filha, e tendo apoio de tanta gente como as meninas que fazem as touquinhas, quem doa material, quem faz a entrega… É muito gratificante e um alento para o meu coração de mãe. É uma forma de ressignificar essa dor imensa que é a despedida de um filho”, finalizou Raquel.
Quem quiser ajudar com o projeto Pitouquinha pode entrar em contato diretamente com a Raquel Saad pelas redes sociais do Pitouquinha, no Facebook e Instagram.













Parabéns, pelo ato e pelas touquinhas! Lindos❤
Trabalho lindo, no qual tenho o privilégio de poder entregar as pitouquinhas em alguns hospitais e casas de apoio.
Parabéns a minha amiga Raquel e a todos os voluntários.👏👏👏👏
Tio Fininho
Parabéns Raquel e Rose pela iniciativa.