Além das ondas

Poucos dias antes de morrer, após uma intensa luta contra a leucemia, o pequeno Victor Manuel, de apenas 9 anos, viveu momentos de alegria ao lado da família em uma viagem à praia.
O que era o mar, aberto à sua frente, empurrado pela brisa gostosa daquele leve corrida em direção às ondas, começava o seu intocável horizonte da eternidade.
O banho nas ondas se quebrando, juntava pessoas amadas em abraços e beijos, em exercícios soltos de amor, a soldar, em definitivo, cada elo dessa corrente inquebrável a que o Senhor Deus deixa cair de suas poderosas mãos para fundar, recriar, alimentar, animar, proteger e perpetuar sob o signo de família.
Ao ver os pés de Victor correndo em direção à mamãe, depois ao papai, para o abraço derradeiro, estando já, no colo deles, dava um spoiler de sua ida ao encontro do Pai das Misericórdias.
Daí porque, os que amam, por amar o amor, entenderem, no silêncio envolvente dos não-verbais, o vínculo da perfeição.
Anotamos isso, agora, há alguns minutos, para nos fingirmos fortes e continuar a leitura do que a mãe de luta e luto escreveu a nós, nas redes:
“Esses momentos na praia são mais do que lembranças bonitas. São vitórias, são vida. Entre tantas batalhas, você ainda correu na areia, sorriu com o vento no rosto, viveu o que muitos acham simples e que, pra nós, virou precioso”, escreveu Ana Paula Mineiro[i], compartilhando mais, emocionada, a força, a coragem e o amor que marcaram a trajetória da criança durante o tratamento.
Segundo ela, cada instante vivido ao lado do filho se transformou em um símbolo de resistência e esperança.É o barato da vida que custa caro aos que não a valorizam.
[i] @apmineiro








