ORIGEM DO TERMO IDEOLOGIA

A palavra ideologia foi criada e introduzida na teoria por Antoine Destutt de Tracy (1756-1826) que usou o termo no seu livro Elementos de Ideologia, a partir de 1801. De Tracy buscava uma doutrina filosófica para perceber e descrever a origem e a formação das ideias. A esta ciência das ideias deu o nome de ideologia.
A evolução do conceito de ideologia recebeu grandes influencias no séc. XVI através da “teoria dos ídolos” desenvolvida por Francis Bacon (1561-1626). Em seu Novum Orgum, Bacon coloca em dúvida o conhecimento das ciências tradicionais: “Era preciso evitar tanto a fé cega na autoridade como a aceitação acrítica de opiniões convencionais” (LENK, 1974, p. 10). Bacon buscava a libertação da razão diante do dogmatismo eclesiástico.
Mas foi Karl Marx (1818-1883) quem deu um salto qualitativo na análise sobre a questão da ideologia. Para ele, a crítica ideológica passa pela crítica da religião afirmando que, “a crítica da religião é a premissa de toda a crítica”. (MARX, 1974: p. 93) É necessário fazer primeiramente a crítica da religião para, a partir dela, poder-se fazer a crítica às demais instâncias da sociedade.
“A alienação religiosa acontece, como tal, somente no âmbito da consciência, da interioridade do homem, mas a alienação econômica é própria de sua vida real; sua superação abarca, portanto, ambos os aspectos”. (LENK, 1974, p. 25)
Em suma, ideologia em Marx é urna falsa consciência ou um conjunto de ideias especulativas, idealistas e metafísicas, produzidas pelo ser humano, isolado da práxis, através da filosofia, da teologia, da política, da economia e das demais representações sociais formuladas pelo pensamento. Visa, pois, encobrir a realidade de dominação e fazer as pessoas crerem que são iguais e que têm as mesmas chances e os mesmos direitos.
Frente a tudo o que refletimos até agora, vemos neste caso que acontece a tradicional separação entre fé e ideologia. Uma não bate com a outra. Os seres humanos se dividem entre os que têm fé e os que têm ideologia. A partir desta separação as pessoas se combatem mutuamente, cada urna procurando superar ou excluir a outra.
Para solucionar este problema se propõe um estudo mais aprofundado no âmbito antropológico. O fato é que isto ocorre porque o ser humano se distrai com minucias e valores secundários e com isso decide se livrar de todos e de tudo o que possa atrasar ou impedir a escolha do melhor caminho a seguir. Mas, ao chegar ao fim da vida constata-se que havia gastado todo seu tempo para ganhar a liberdade e efetivar a melhor escolha, não chegando nem sequer a escolher o melhor caminho.
Fonte: Fé antropológica como ponte entre fé e ideologia em Juan Luis Segundo, Alvori Ahlert .








