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Um fim de semana muito louco

Inhaim?

Minha vizinha de barraco Fodelícia me fez uma proposta que não podia recusar. Me ofereceu a chave do seu ranchi para passar o fim de semana. E o “trem” era “bão” demais: eu poderia levar quem eu quisesse. Na mesma hora mandei um uatis pra Lolosa. A resposta veio na hora: topo. Mandei outro uais: “pod levar quem quiser. Eu iria no Corcel.
Chameu meu amigo de copo e de cruz João Veadi Colapso Cardíaco e a mulher dele Joana Aberta Demais Conjugais. Lolosa levou sua amiga Tobiniana do Tobas Liso. Mulher estranha, um pé enorme, voz esquisita. Já fiquei de olho.

Marcamos para sair às 5 da manhã de sábado. A gasolina ia ser rachada. Antes de sair, passamos na Mercearia do Seu Necrotério Kudo Endo para comprar os “trem”: macarrão Perocco, massa de “tumate”, “sarsicha”, sardinha, “mortandela”, guarná maçã, Litrão, um tanto de carotinho de cachaça “Cana de Veado”, ovo de codorna, “minduim”, uma goiaba (pra “gricose”), “repoio” e batata doce.

O rancho era num lugar longe pra capeta, sobe, desce, curva, o Corcel virou bosta de Goiás pra chegar. As “perna” da Tibiniana eram tão grandes que ela teve que ir sentada de “isgueio” no Corcel.
Enfim chegamos. O rancho era uma casinha de madeira com um quarto e duas “belinhas” e no chão um colchão de “paia” A cozinha tinha um fogão com duas bocas, uma bacia de “prástico” que servia de pia. Banho tinha que ser na bica. E a privada era um buraco que a Fodel´cia mandou fazer no fundo do rancho. Ali era o inferno na terra. Eu devo ter batido bife na tábua dos 10 Mandamentos para sofrer tanto.

Já que “tava” tudo danado, resolvi nadar. Lolosa me aparece com um short de jogador de futebol e um camisetão cavado. Aqueles “peitão” caído. Segura uma caixa com 36 lápis debaixo daquilo.
Joana com um vestido de “maia” longo para não mostrar as “perna cheia de veia”. O João de calça de “moletão”, sem camisa. Tão cabeludo que me lembrou um tapete que eu tenho na porta do barraco. Eu com o meu “maiot” verde-limão. Mas a visão do inferno foi mesmo a Tobiniana de biquíni, sem peito, e com aquela “mala” no “meio das perna”. Quase perguntei se ia viajar. Eu sabia que tinha alguma coisa errada. Só a Lolosa pra me arrumar isso.
Bebemos e comemor até entorar. De noite eu só escutava os “rojão”. Resolvi me vingar e comecei a soltar também. Pior que pra mim sobrou o colchão de “paia”.
Resolvi nunca mais aceitar favor. Esmola demais o santo desconfia…

Luciene Garcia

É jornalista e criadora da personagem Lulu do Canavial.

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