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O nascimento do antifanático

Inexorável num ambiente de fanáticos
É o surgimento do antifanático.

Ele nasce rindo e debochando
Da mediocridade,
Da carência,
Da adoração cega
E dos ideais autoritários dos fanáticos.
Torna-se arrogante.

Ele observa, analisa e refuta
Os ataques à lógica e ao bom senso
Perpetuados pelos fanáticos.
Despreza pela sua antítese
Torna-se prepotente.

O fanático é um bufão
Que ignora informações básicas,
Contra-argumenta com mentiras
E deturpa a realidade.
E o antifanático se aporrinha
E não percebe sua empáfia.

Finalmente, o antifanático passa ao ódio,
Ódio puro e primitivo pelas idéias fanáticas.
Passa a desejar o mesmo que o fanático,
O fim dos outros indivíduos
Que não compactuam com seus ideais.
O antifanático menospreza o indivíduo.

Amós Oz definiu o fanatismo como um vírus,
Uma doença contagiosa que se propagada
E pode tornar qualquer um fanático,
Mesmo o mais puro antifanático.

O antifanático perde a racionalidade,
Desnorteia-se, esquece o respeito,
Abre mão de princípios
E imagina representar as virtudes.

Rancores e diferenças incontornáveis
Destroem o núcleo do corpo e da alma.

O fim do mundo!
Um meteoro que destrói o amor,
Um tsunami em que a vida perde o valor.

E será tarde.
O antifanático nunca perceberá
Que o fanático já foi como ele
E que ambos propagam juntos o fanatismo
Com as mãos sujas de sangue.

Michel Pinto Costa

É Oficial de Promotoria do Ministério Público do Estado de São Paulo, em Franca, e bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Franca.

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