O nascimento do antifanático

Inexorável num ambiente de fanáticos
É o surgimento do antifanático.
Ele nasce rindo e debochando
Da mediocridade,
Da carência,
Da adoração cega
E dos ideais autoritários dos fanáticos.
Torna-se arrogante.
Ele observa, analisa e refuta
Os ataques à lógica e ao bom senso
Perpetuados pelos fanáticos.
Despreza pela sua antítese
Torna-se prepotente.
O fanático é um bufão
Que ignora informações básicas,
Contra-argumenta com mentiras
E deturpa a realidade.
E o antifanático se aporrinha
E não percebe sua empáfia.
Finalmente, o antifanático passa ao ódio,
Ódio puro e primitivo pelas idéias fanáticas.
Passa a desejar o mesmo que o fanático,
O fim dos outros indivíduos
Que não compactuam com seus ideais.
O antifanático menospreza o indivíduo.
Amós Oz definiu o fanatismo como um vírus,
Uma doença contagiosa que se propagada
E pode tornar qualquer um fanático,
Mesmo o mais puro antifanático.
O antifanático perde a racionalidade,
Desnorteia-se, esquece o respeito,
Abre mão de princípios
E imagina representar as virtudes.
Rancores e diferenças incontornáveis
Destroem o núcleo do corpo e da alma.
O fim do mundo!
Um meteoro que destrói o amor,
Um tsunami em que a vida perde o valor.
E será tarde.
O antifanático nunca perceberá
Que o fanático já foi como ele
E que ambos propagam juntos o fanatismo
Com as mãos sujas de sangue.








