Inspirados

O vazio dos espaços

O vazio dos espaços dentro de nós é o que me assusta, e me pego a pensar, será que ele deveria ser preenchido ou apenas permanecer vazio? O que ocasiona esses espaços vazios? É a falta de algo ou simplesmente é um vazio que existe espontaneamente, e simplesmente deve ser deixado lá, vazio, a esmo?

         Os paradigmas estabelecidos pela nossa sociedade nos dizem que para sermos completos, precisamos ter um emprego, um amor, bens materiais etc. Mas e para quem não tem tudo isso? E para quem não quer ter tudo isso? Estamos fora do “leito de procusto”? Estamos fora da fôrma que a sociedade estabeleceu para ser tido como o “certo”?

Dizem que os opostos se atraem. Balela! Como podem se atrair se cada um tem um propósito diferente? Dizem que precisamos ter alguém para nos completar. Balela! Já somos seres totalmente completos, e se nos atrevermos a buscar algo para aplacar tal completude, que seja para somar, e não completar, pois já somos seres completos. Ou talvez simplesmente não devêssemos buscar nada, apenas tentar nos encontrar nos vazios dos espaços dentro de nós, tentar encontrar quem realmente somos, o que realmente queremos. Nos encontrar dentro do paradoxo de sermos seres completos mas ao mesmo tempo possuir espaços vazios que teimam em ser preenchidos.

No meio de tantas opções oferecidas pela sociedade contemporânea para preencher tais vazios, nos encontramos em meio a aplicativos e propagandas de todos os tipos, pessoas oferecendo curas mirabolantes, através do sobrenatural ou em meios fantásticos e fáceis de enriquecimento rápido. Coaches, curandeiros, o “diabo a quatro”, tudo isso, sendo oferecido para quem procura o preenchimento do vazio dos espaços, mesmo assim, o vazio teima em existir dentro de nós.


Com o quê o vazio dos espaços deve ser preenchido afinal? Será que ele foi feito para ser preenchido? Enquanto fico aqui presa dentro dessas quatro paredes, me ponho a escrever essas linhas que não tem nenhum propósito e não tem a finalidade de oferecer nenhum alívio para aqueles que cultivam os vazios dos espaços já existentes dentro de si, muitas vezes com coisas efêmeras, e sem sentido, pois depois que todas essas coisas passam, o vazio retorna ainda mais obscuro e mais assustador.

Cabe a nós nos encontrarmos nos vazios dos espaços dentro de nós, ou deixar ele como está, vazio, desabitado e ermo, e convivermos com a incongruência de sermos seres completos que possuem o vazio dos espaços dentro si, e teimam em cultivá-lo.

Evanuse Fernandes

É Graduada em Psicologia pelo uni-FACEF com orientação em Psicologia Analítica/Junguiana, Graduanda em História pela Uniube, e Pós-graduanda em Psicologia com Intervenção em Drogas pela Faculeste.

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