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Brasil…sil…sil…: desenvolvimento (in)sustentável, em resumo

Por João Baptista Comparini

Parece infinita a quantidade de aspectos que podem abordados quando se fala em desenvolvimento sustentável, ODSs, Agenda 2030 e que tais. Muitos relatórios com grande conteúdo sobre as evoluções e involuções são disponibilizados, para o Brasil e o mundo, mas, concorrem com as mídias sociais no esgotamento de nosso tempo, não nos permitindo analisar com profundidade questões que são muito, muito mais relevantes.

Eu IA me atualizar em várias publicações, mas, essa IA! Então, resolvi selecionar apenas um relatório, para entender como caminhamos no Brasil. E relatar aqui um brevíssimo resumo a respeito. Trata-se do IX Relatório Luz da Sociedade Civil, com base em dados de 2024, sobre a Implementação da Agenda 2030 no Brasil, realizado pelo Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030 (GTSC A2030) com apoio da União Europeia, da Fiocruz e Plan International (www.gtagenda2030.org.br).

As notícias não são boas. Das 168 metas estabelecidas para diagnosticar para onde estamos indo no atingimento dos ODSs, 88% indicam insuficiência, estagnação, retrocesso ou ameaça, 7% estão no patamar satisfatório, com e, 5% não se aplicam ou indicam ausência de dados.

Para não tornar extenso este texto, abordarei aqui somente a situação de alguns dos ODSs, a saber. Para o ODS 3, que “visa assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades”, das 13 metas propostas, apenas uma (reduzir a taxa de mortalidade materna) apresenta evolução satisfatória. Mas “acabar com as mortes evitáveis de recém-nascidos e crianças menores de 5 anos” apresentou resultado insuficiente, e, “reduzir pela metade as mortes e os ferimentos globais por acidentes em estradas” teve retrocesso, com aumento em 13% das mortes no trânsito entre 2020 e 2024.

No ODS 4, que objetiva “assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”, nenhuma das 10 metas propostas apresenta diagnóstico satisfatório. Todas as metas classificam-se como insuficientes, estagnadas, retrocessos ou ameaçadas. Bastaria atender a este ODS e, creio, resolveríamos todos os demais. Mas não podemos reclamar né, temos aqui a progressão continuada, os milhares de cursos à distância, os financiamentos e as bolsas estudantis, e outros planos que resolverão nossos problemas educacionais.

No ODSs 6, que tem como foco “assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos”, todas as 8 metas também se classificam como insuficientes, retrocessos ou ameaçadas. Pois é, será que ainda não sabemos fazer saneamento? Será que não temos leis suficientes no setor? Ou será que não temos dinheiro suficiente, pois precisamos construir estádios para eventos como copa do mundo de futebol?

O ODSs 8, que visa “promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos”, também repete a dificuldade em evoluirmos, sendo que das 12 metas, apenas uma, “Fortalecer a capacidade das instituições financeiras nacionais para incentivar a expansão do acesso aos serviços bancários, de seguros e financeiros para todos”, vejam só, apresenta resultado satisfatório.

Por fim, no ODS 9, que trata de “construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação”, nenhuma das 8 metas atingiu pontuação satisfatória. Tenho a impressão, só impressão, de que nossos gastos correntes do orçamento público para a administração do país, aliados a gastos, como virou moda dizer, nem tanto republicanos, dificultam alavancar este ODS.

Ora, não é preciso escrever muito para tirarmos conclusões. Utilizo aqui um texto do próprio relatório de onde as informações foram extraídas: “… mais uma vez ele traz uma síntese contundente sobre a implementação das principais políticas nacionais e mostra que a distância do país em cumprir a maioria das suas metas aumenta …”. Deitado eternamente em berço esplêndido, pátria amada.

João Baptista Comparini é engenheiro e integrante do Diálogos Sustentáveis

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