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O futuro da nossa água em jogo: participe da audiência pública sobre o Rio Canoas

Você sabia que a Prefeitura de Franca encaminhou um projeto de lei à Câmara Municipal que autoriza novos loteamentos na bacia do Rio Canoas? A proposta atinge diretamente a região responsável pelo abastecimento de grande parte da água que consumimos todos os dias.

Sob o pretexto do desenvolvimento, o poder público caminha para autorizar uma expansão urbana praticamente ilimitada, ignorando regras básicas de urbanismo e a própria crise climática. O que está em jogo nesta semana não é apenas uma decisão técnica, mas o desenho da cidade onde viveremos.

A lógica da expansão urbana

Franca está crescendo de forma espalhada e cara. Promove-se o esvaziamento do centro e de seu entorno imediato, consolidando o fenômeno da “cidade oca”. Enquanto as bordas do município recebem cada vez mais bairros distantes, o coração da cidade morre com prédios públicos abandonados, como o Champagnat, o antigo Centro de Saúde e o antigo campus da UNESP.

Esse modelo gera custos altíssimos: levar asfalto, redes de água, transporte, escolas e postos de saúde para novas áreas exige começar tudo do zero, criando despesas permanentes que saem do bolso de cada contribuinte.

Estoque ocioso ignorado

A situação é ainda mais absurda quando sabemos que Franca possui hoje cerca de 23 mil construções vazias e impressionantes 40 mil lotes vagos com infraestrutura totalmente pronta. Esse estoque ocioso teria capacidade para abrigar 189 mil pessoas sem que fosse necessário urbanizar ou impermeabilizar um único metro quadrado de solo natural.

Ameaça ao Rio Canoas

Ao optar por expandir o perímetro urbano justamente sobre a Macrozona do Rio Canoas, a Prefeitura ameaça diretamente áreas de recarga e sensibilidade ambiental, colocando em risco nascentes e matas ciliares.

No lugar de investir na resiliência climática da cidade, prefere-se pavimentar o solo com asfalto, inclusive com recursos oriundos da privatização da SABESP. O resultado é um município voltado para os automóveis, que negligencia pessoas, parques e áreas verdes.

Impactos sociais e ambientais

O transporte público, forçado a cobrir linhas cada vez mais longas com frotas a diesel, perde eficiência e emite ainda mais gás carbônico. A população, por sua vez, perde horas da vida em um trânsito cada vez mais violento.

Tudo isso acontece na contramão do nosso próprio Plano Diretor, que há 22 anos previa uma cidade compacta e protegia os mananciais, mas que vem sendo ignorado pela falta de regulamentação de instrumentos como o IPTU Progressivo.

Hora de agir

Não podemos assistir a esse processo em silêncio. Convidamos toda a população, movimentos sociais, estudantes, profissionais e cidadãos conscientes a se unirem ao Fórum Franca Sustentável para pressionar o poder público e exigir responsabilidade com o nosso patrimônio ambiental.

Uma audiência pública foi marcada para a próxima quarta-feira, dia 17/06, às 14h, no Plenário da Câmara Municipal de Franca (Rua da Câmara, 01 – Parque das Águas).

Levar inteligência urbana para o centro, cobrar fiscalização real das taxas de permeabilidade e exigir a regularização do passivo ambiental dos loteamentos já existentes na bacia do Canoas, antes de abrir novas glebas, é urgente.

Compareça, use a sua voz e defenda a água de Franca.

Autoria: Fórum Franca Sustentável

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