Teatro… que saudade!
A conduta que devemos ter dentro de um teatro já foi tema de um outro texto publicado aqui na Folha de Franca. Aquilo que se deve fazer e aquilo que não se deve fazer nem sob tortura é sempre assunto polêmico e interessante, pois o teatro força a todos um comportamento diferente do que temos no dia a dia, e isto é para uns um desafio e para outros um verdadeiro pesadelo. Assemelha-se à sensação que temos quando recebemos um convite para um jantar elegantérrimo e, ao chegarmos lá, vemos um monte de talheres, taças e pratos…Dá até um nó na cabeça só de pensar por onde começar…É uma sensação de euforia por estarmos em um lugar diferente do usual misturada com a sensação de medo de uma gafe qualquer. No Teatro é a mesma coisa! O medo da gafe é sempre presente e quem diria que um prédio pudesse causar tanto furor, não?
Pois então….acontece que euzinho estou morto de saudades do nosso Teatro Municipal “José Cyrino Goulart” que tem anexo o Teatro de Bolso “Orlando Dompieri”. Não vejo a hora de fazer nosso primeiro concerto do ano e sentir o aplauso do público que sempre é tão caloroso! Mas afinal de contas quem foram estes homens? O que fizeram para serem assim tão solenemente homenageados? O Dompieri só pode ter sido muito importante, pois uma das mais movimentadas avenidas da cidade já leva seu nome! O que acontece é que quase ninguém se pergunta essas coisas! Frequentamos um teatro, passamos por avenidas e praças, moramos em ruas e não procuramos saber o porquê de tais homenagens e principalmente se esses indivíduos merecem realmente tais honrarias.

O Sr. José Cyrino Goulart foi o primeiro presidente da Fetanp (Federação de Teatro Amador do Nordeste Paulista). É uma personagem da história francana que merecia um pouco mais de estudos, pois pouco se escreveu a seu respeito, mas só para que vocês possam ter uma ideia, ele deixou praticamente todos os seus bens para que fossem transformados em teatros e bibliotecas. Morreu infelizmente, segundo informações que obtive, um pouco esquecido, pobre e sem o reconhecimento merecido. Hoje em dia, funciona no próprio Teatro Municipal uma espécie de museu da Fetanp que pode ser visitado para consultas sobre os mais diversos temas sobre o teatro amador em nossa cidade e região.
O Sr. Orlando Dompieri foi um ator talentoso e que conseguia arrebatar plateias com seu monólogo “As mãos de Euridice”. Além de ator, foi novelista e muito querido nos meios radiofônicos da cidade. Eu pude pesquisar um pouquinho para este artigo e quero deixar aqui a sementinha da curiosidade para que vocês mesmos possam ir ao Teatro Muncipal, ao Acervo Histórico (que fica no colégio Champagnat), ao Museu Histórico Chiachiri e ao MIS (Museu da Imagem e do Som), tudo, claro, quando a pandemia acabar e pudermos transitar sem medos. Será que há parentes de José Cyrino Goulart e do Orlando Dompieri? Como seriam as histórias contadas pelos filhos e netos do sr. Chiachiri? Você tem contato com alguém de família árabe ou italiana? Como será que foi a vinda deles para cá? A história está bem próxima de todos nós, basta querer olhar para o passado para entender melhor o presente e assim poder vislumbrar um futuro promissor!

Mas qual a importância de tudo isso? O que muda a minha vida se eu souber quem foram essas pessoas? Na verdade, a memória de uma cidade, expressa através de sua arquitetura e moradores ilustres que contribuíram de alguma forma para o engrandecimento dela, faz com que os atuais habitantes possuam uma identidade cultural, uma sensação de pertencimento e orgulho. Quando estudei em universidade alemã na qual Maria Curie trabalhou e lecionou me senti parte de sua história de alguma forma! Saber quem foi Ambrosina Rosa, Alfredo Palermo, Inah Sandoval e tantas outras personalidades faz com que o orgulho de sermos francanos ou de termos escolhido Franca como lar, torne-se algo que irá preservar a memória francana combatendo assim qualquer ameaça de caminharmos para um esquecimento de nossas raízes. Uma cidade sem seus prédios arquitetônicos, sem suas personagens formadoras é como uma pessoa que padece de Alzheimer – sem memórias do passado não há presente nem futuro.








