Opiniões

Política é coisa para mulher?

Em outubro deste ano elegemos nossos representantes nas esferas estadual e federal. Escolhemos os deputados estaduais, federais, senadores, governadores e presidente da república, em uma eleição totalmente polarizada e tensa. O extremismo foi uma marca, grandes discussões sobre direita, esquerda, representatividade e democracia, contudo, algo que permaneceu sendo deixado de lado foi a participação da mulher na política.

Fazemos parte de um Brasil que, de acordo com dados do IBGE, possui em média 214 milhões de habitantes, dentre os quais, 51% são mulheres. O TSE destaca que 52,5% do eleitorado nacional é formado por mulheres, reconhecendo, porém que a baixa representatividade feminina ainda permanece. Apesar de sermos a maioria, continuamos sub-representadas em espaços políticos e de poder.
Os resultados comprovam que os eleitores ainda não votam em mulheres, e que as mulheres não escolhem mulheres. Dos 513 deputados federais eleitos, foram apenas 91 mulheres, o que representa 17,7% do total. Já no Senado, houve redução; para a legislatura de 2023, das 81 cadeiras, apenas 10 serão ocupadas pelo sexo feminino.

Quando falamos no poder Executivo, o resultado ainda foi muito menor, pois das 27 unidades federativas, considerando que temos 26 estados e o Distrito Federal, tivemos apenas 2 mulheres eleitas governadoras, representando apenas 6% das vagas majoritárias.
O perfil médio dos governadores eleitos em 2022 não tem mudando ao longo do tempo, os escolhidos ainda são homens, brancos, casados e com idade média de 52 anos. Há predominância masculina em espaços de poder público, o que fica claro quando se observa o resultado das urnas.

Um estado que surpreendeu ao quebrar a hegemonia, foi Pernambuco, estado nordestino, com uma cultura patriarcal mais forte, onde duas mulheres, em um contexto totalmente incomum, disputaram o segundo turno. Lá a eleita foi Raquel Lyra, que já marca seu nome na história, ao ser a primeira mulher a governar o Estado.

Infelizmente ainda são casos isolados. O Rio Grande do Norte foi o segundo estado a eleger uma governadora, e lá se tratou de uma reeleição, em que Fátima Bezerra foi reeleita com 58, 31% dos votos.
Existem várias teorias para a ausência de representatividade feminina, uma delas é a de que as mulheres não querem concorrer, outra prevê a ausência de preparo, algumas de não tiveram incentivo. Ocorre que 2022 foi o ano em que o número de mulheres candidatas foi o maior das últimas três eleições gerais, em que a participação das candidaturas femininas chegou a 33, 27% do total.

Outro ponto que ocorreu nas eleições gerais de 2022 foi o percentual de 30% do recurso do Fundo Partidário destinado para as candidaturas femininas, garantindo financiamento. Não há contudo, no Brasil, o estabelecimento de cotas para candidatas eleitas, ainda que por tempo determinado, o que poderia mudar o cenário e a cultura no País.

O fato é que, além de discutirmos cada vez mais o tema, reforçando a importância da presença das mulheres em espaços de decisão, precisamos urgente de medidas capazes de contribuir com a representatividade feminina. Assim, conseguiremos mais equidade, pois a presença feminina, independentemente de suas ideologias, irão dar voz aos interesses que hoje não encontram representação nas diversas esferas políticas.

Dra. Cristiany de Castro

Advogada, Diretora Social da Federação das APAES do Estado de São Paulo, mestre em Desenvolvimento Regional pelo Uni-Facef. E superintendente do Instituto de Ensino e Pesquisa UNIAPAE/SP.

2 Comentários

  1. Eu tenho visto muitas mulheres fortes e determinadas em colocar suas idéias e suas propostas por uma política justa, honesta, igualitária, porém, vejo também muitas mulheres com propósitos e dispostas mas com medo de enfrentar o preconceito, o assédio, a falta de credibilidade que ainda muitos homens tem em relação as mulheres, principalmente na política . Precisamos falar mais sobre isso e nos apoiar.

  2. Dra Cristiany, ero dia que as mulheres se unirem e entenderem, que elas podem eleger quantas candidatas quiserem, em qualquer eleição, no haverá nenhum homem eleito ou reeleito na política brasileira.
    Abraço fraterno

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