Vida leve

Não levo a vida que escrevo
Antes, escrevo a que levo.
É quando a alma em enlevo,
Nas alturas das emoções me elevo.
As palavras brotam soltas,
Com a intenção do isolamento.
Ao caírem no coração, de energia envoltas,
Agrupam-se cúmplices no pensamento.
Os tímidos de aparência, presas da ansiedade,
Negam exposição ao que sentem.
É como se as fobias da sociedade
Curassem-lhes os transtornos que desmentem.
Os bons de papo exageram
Em suas mentiras verdadeiras,
Contadas com convicção, ponderam:
Conversas de pescador, nem de feiras!
Centrados também se contêm
Na máxima do silêncio que seria ouro.
Aos encantos das musas, a classe mantêm,
Nos pulos das vísceras iguais a touro.
Bobagem de flagelo se implicamos
Com aquilo que parecemos e queremos.
Os perfeitos e insuperáveis, concertamos,
Estão indo ou se foram, os esqueceremos.









“É quando a alma em enlevo”, não há palavras para dirimir tanto encanto. Parabéns!
Não há palavras para dirimir tanto encanto. Parabéns!