Inspirados
Inocente

Moço, a sua voz
É a da minha televisão!
Falou-me ele, com concisão,
De alegria doce e veloz.
Você gostou dela?
Perguntei ao espontâneo garoto,
Que aceitando uma bala, era broto,
A germinar novo Mandela.
Gostei! Logo emendou.
O som é igual ao da televisão!
Via que em sua candura de visão
Apresentador da telinha bordou.
Do outro lado da mesa,
O seu irmão, mal-humorado,
Dispensou a balinha, cansado,
Descartando alguma despesa.
É nisso que pode dar
Ao birrento mesmo adulto,
Trocar o doce pelo insulto,
Se na pureza não esbaldar.








