Colunas

Sessão

É um dia como qualquer outro, a diferença é que eu havia agendado horário. Ao chegar, aguardei alguns minutos – corriqueiro na liquidez desse mundo que vivemos. Isso trata-se da insanidade do tão mencionado planejamento e ordem que tanto ouvimos do capital. Até mesmo nesse lugar, que é morada temporária de quem busca a fuga na “saúde mental” ou “bem-estar”. Onde há profissionais que cuidam do desafogo por perdas, separações, abandonos, novas paixões, amores ou qualquer outra circunstância que vocalizamos após relaxar.

Mesmo a esperança sendo o mal de todo brasileiro, expomos aqui a esse profissional bem treinado, a delicadeza das pessoas que foram perdidas. Estamos diante de uma inteligência que nos traiu. Quando nos deparamos com pessoas que declaram guerras em nome de uma marcação territorial que não é sua – aliás não somos donos de nada, somos parte de um todo – é a conclusão que temos uma “inteligência bacteriana”.

Nessa quentura da selva de pedra, construída por uma ‘capacidade’ que derruba árvores e incendeia matas para erguer moradas, chamam isso de ambição — outrora, progresso. Exatamente nesse lugar, acredito que podemos sair dessa hipnose coletiva – nem se for por alguns instantes. Sabe que aqui, fico usando pronomes, para não mencionar o nome do profissional e nem do lugar, como se fosse pecado.
Lembro de uma entrevista do saudoso compositor brasileiro Tom Jobim, em que ele disse estar em uma cidade de Portugal, quando pergunta a um amigo como se chama o garçom? Segundo ele, o amigo responde que não se chama. Tom, insiste e pergunta que gostaria de pedir mais uma bebida. O português reafirma, não se chama o garçom aqui; “Como faço então?” indaga Tom. O lusitano diz “por favor”.

No consultório da boemia brasileira, não somos nada discretos. O garçom é “meu chapa”, “chefe” e “amigo”. Assim gritamos para clamar a última esperança – o garçom. Esse sim cuida de nós. Companheiro, mais um chope bem gelado. Preciso me abrir com você, não está nada fácil essa loucura de mundo!

Dione Castro

É administrador de empresa, estudante de gestão empresarial pela Fatec, graduado em direito e um eterno curioso.

Um Comentário

  1. Que texto maravilhoso, saber reconhecer que precisamos de ajuda, seja ela profissional ou não, para encarar os desafios, é de uma grandeza imensa.
    Parabéns Dione!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Verifique também
Fechar
Botão Voltar ao topo