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Quer reduzir fila no SUS? Comece plantando árvores

Por Elaíse Maria de Mello Barbosa

Quando a cidade castiga quem anda a pé, quem pedala, quem espera o ônibus no sol, ela adoece por dentro. E isso aparece onde mais dói: nas filas do SUS. Não é exagero dizer que a forma como cuidamos das nossas ruas e calçadas também é uma decisão de saúde pública.

Para enxergar o que estamos perdendo, eu fiz um exercício simples: pedi ao ChatGPT que imaginasse a Avenida Alonso y Alonso como um corredor verde. A imagem ficou longe da realidade de hoje, é uma criação da IA — mesmo assim ela aperta o coração. Porque, naquela versão, a avenida vira convite: mais sombra, mais caminhada, mais bicicleta, mais encontros, mais vida. Uma cidade que acolhe em vez de expulsar.

Árvore não é enfeite. É infraestrutura. É proteção contra o calor. É ar mais limpo. É sombra e frescor onde hoje há concreto fervendo. Ajuda a reduzir alagamentos, favorece a biodiversidade e melhora o conforto térmico da cidade — algo que, ano após ano, se torna questão de sobrevivência humana.

E tem mais: há evidências robustas de que áreas arborizadas se associam a melhor saúde — inclusive mental. Mais verde está ligado a menos estresse (e níveis mais baixos de cortisol), melhor controle da pressão arterial e mais disposição para caminhar e se movimentar. Quando a cidade oferece sombra e bem-estar, a população adoece menos; e, no médio prazo, isso significa menos demanda por atendimentos na rede pública. Arborização precisa entrar de vez na agenda da saúde.

Algumas cidades já entenderam isso e agem com firmeza. Maringá (PR) e Sertãozinho (SP), por exemplo, exigem o plantio de árvores nas calçadas. Em Maringá, o “habite-se” só é concedido após a comprovação do plantio. Desde 2013 em Sertãozinho qualquer lote de mais de 12m de testada deverá ter no mínimo uma árvore plantada em sua calçada, e a cidade já ocupa o segundo lugar nacional entre as cidades mais arborizadas – segundo o censo do IBGE.

A cada ano, as cidades ficam mais quentes — e Franca sente isso na pele. Mesmo assim, seguimos tratando árvore como detalhe, quando ela é urgência. Enquanto as grandes mudanças não vêm na velocidade necessária, a gente faz a nossa parte: pelo Grupo Mulheres do Brasil – Verdejar, já plantamos mais de 15.400 árvores em Franca. E dá para fazer muito mais.

Se você tem uma calçada em frente de casa, você tem um pedaço de cidade nas mãos. O Jardim Zoobotânico de Franca oferece até 4 mudas por CPF para plantio em Franca. É só ir até o local para retirar as mudas e receber as orientações de plantio.

Já através do Grupo Mulheres do Brasil – Verdejar o plantio é gratuito (patrocinado por empresas) e contamos com voluntários que orientam e ajudam a transformar esse espaço em sombra, frescor e cuidado. Peça o plantio para a sua casa e convide um vizinho a pedir também — uma árvore de cada vez, a cidade muda.

Solicite aqui: www.verdejarfranca.com.br/solicite-plantio

Referências Sugeridas

Organização Mundial da Saúde (OMS/WHO). Urban green spaces and health: a review of evidence. WHO Regional Office for Europe, 2016. (WHO Reference Number: WHO/EURO:2016-3352-43111-60341).

Kondo, M. C.; Fluehr, J. M.; McKeon, T.; Branas, C. C. Urban Green Space and Its Impact on Human Health. International Journal of Environmental Research and Public Health, 2018; 15(3):445. DOI: 10.3390/ijerph15030445.

Rojas-Rueda, D.; Nieuwenhuijsen, M. J.; Gascon, M.; Perez-Leon, D.; Mudu, P. Green spaces and mortality: a systematic review and meta-analysis of cohort studies. The Lancet Planetary Health, 2019; 3(11):e469–e477. DOI: 10.1016/S2542-5196(19)30215-3.

Elaíse de Mello Barbosa é especialista em Arborização Urbana. É líder do Comitê Verdejar do Grupo Mulheres do Brasil de Franca desde 2016.

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