Minha escola, meu orgulho: memórias e histórias da Caetano Petraglia

Por Letícia de Sousa Alvim
Oi, meu nome é Letícia de Sousa Alvim, tenho 9 anos. Este ano, na escola, aprendi que a minha cidade vai fazer 200 anos e que ela tem muitos patrimônios históricos e culturais. A minha escola também é um patrimônio! Eu estudo na Escola Caetano Petraglia, que tem 90 anos. Minha irmã Marcela e até minha vovó Lourdinha já estudaram aqui.
Minha escola é muito bonita! Tem muitos lugares que eu amo. Quando chego na escola, vejo um muro colorido de grades. Lá também tem um teatro lindo, onde minha mãe fez uma apresentação superdivertida. Eu me senti muito especial naquele dia! Também tem a sala dos computadores, que eu gosto muito porque posso aprender brincando na internet com o Matfic. O pátio da escola é grande e tem um palco.
No aniversário de 90 anos da escola, eu e meus amigos fizemos uma homenagem ao fundador, Caetano Petraglia. Foi um momento maravilhoso!



Eu tenho muitos amigos na escola e adoro brincar com eles no recreio. A merenda da escola é muito gostosa, eu nunca levo lanche porque gosto muito da comida, principalmente nos dias de estrogonofe, que é uma delícia. Sou amiga das tias da cozinha, elas sempre me tratam com carinho e fazem a merenda mais gostosa do mundo. Também admiro a diretora Michele, que é muito atenciosa e tem um sorriso lindo. A minha primeira professora foi a Vanessa, e este ano estudo com a professora Cleó, que é um amorzinho.
O jardim da escola é maravilhoso. Eu amo as gramas verdes e as árvores altas que fazem sombra, e tem uma fonte de água que não funciona mais, mas deixa o lugar tranquilo e bonito. Cada cantinho da escola me faz sentir acolhida. A escola também tem três corredores grandes, mas não são para correr! No meu primeiro dia de aula, pensei que eram, mas depois aprendi que são para andar até as salas de aula. Minha sala é grande e aconchegante. Eu sou amiga de todos e sempre tento ajudar quem precisa. Meu dia favorito é a semana da criança. Eu amo minha escola! Ela é um lugar onde me sinto feliz e onde posso aprender, brincar e crescer com meus amigos. E saber que minha escola é tão antiga e importante para a cidade me deixa ainda mais orgulhosa!
Quando minha irmã Marcela estudou na Escola Caetano Petraglia, ela achava que a escola era um castelo e as professoras, verdadeiras rainhas. A escola era bem bonita, uma construção simples, mas enorme, com um muro de grades de ferro colorido e uma entrada grande, com um telhado inclinado, coberto de telhas de barro. A pintura estava um pouco desgastada pelo tempo, com tons de branco e bege. Tinha duas varandas com alpendres de alvenaria, cheias de vasos de plantas bem cuidadas. Na entrada, dava pra ver um ambiente tranquilo, com grama e uma fonte linda, que às vezes soltava água. O jardim ao redor era simples, com plantas, grama e árvores, criando um lugar bem acolhedor.
O teatro da escola tinha cadeiras antigas, feitas de madeira escura, que pareciam ser feitas à mão. O piso era de azulejos brancos e vermelhos. Nas salas de aula, as janelas eram grandes, e sempre entrava uma brisa suave. Todos os dias, o cheiro da merenda vinha da cozinha, e Marcela sabia que era hora do recreio. O uniforme dela era uma camiseta azul-marinho e uma bermuda com o nome da escola escrito, e quando fazia frio, ela usava blusa e calça de abrigo com o nome da escola. Seu cabelo estava sempre bem amarrado, com vários penteados diferentes.

A merenda era uma delícia, e o lanche favorito dela era pão com carne. Toda sexta-feira, quando ela ia embora, a mamãe comprava pipoca de caramelo do tio Jucelino um pipoqueiro, que vendia ali na frente. Todos os dias, eu ia buscá-la com a mamãe, eu era um bebê sentada na motoquinha. A escola era bem grande, e ela nem lembra de ter conhecido a diretora, porque nunca precisou ir à diretoria. Todos a conheciam como a menina da mochila do guachinim. Naquela época, a escola não tinha computadores, mas ela se divertia muito brincando no pátio e no jardim com os amigos.
Depois, a pandemia chegou, e ela não voltou mais para a escola. Passou dois anos estudando à distância, e quando as aulas voltaram, ela já estava em outra escola. Ela sente muita saudade da Caetano Petraglia.

A vovó Lourdes começou a estudar em 1962, quando tinha apenas 7 anos. Ela usava um uniforme bem bonito, um avental branco. O avental era uma peça única que cobria a parte da frente do corpo e era usado por cima da roupa da escola. Era bem simples e tradicional, sem muitas cores ou detalhes como os uniformes de hoje, mas para a vovó, era muito especial e a fazia sentir pronta para aprender.
Naquela época, a escola era bem menor do que é hoje, não tinha todas as salas que existem agora, nem as grades coloridas no portão, e também não havia as árvores que cobrem a janela da escola para a rua.
A merenda que davam para as crianças era um leite com chocolate, mas não era muito gostoso. As crianças faziam careta, mas bebiam porque diziam que era vitamina. Não tinha quadra de esportes como tem agora, e o pátio era bem grande, onde as crianças brincavam durante o intervalo.
Os banheiros eram longos, perto das salas de aula, e existia uma lenda de que a dona Cotinha, a diretora que já faleceu, aparecia por lá. Por isso, as meninas iam ao banheiro em grupos de 3 ou 4, com medo de encontrar a dona Cotinha.
Naquela época, meninos e meninas estudavam juntos na mesma sala, mas não se misturavam muito, tanto é que meu vovó Alvim estudou na escola junto com a minha vovó e os dois não se conheciam, so vieram a se conhecer anos depois. As meninas brincavam com as meninas e os meninos com os meninos.
A primeira professora da vovó foi a dona Iolanda, uma senhora que já tinha mais de 50 anos. A diretora era a dona Edna Cintra Haber, que era bem autoritária, e as crianças morriam de medo de ser chamadas para a diretoria, as crianças daquela época eram obrigadas a tomar vacina. A vacina era de gotinha na boca, e tinha gosto de sabão e a vovó não gostava nada disso. O médico apertava o nariz dela para ela não cuspir a vacina. O dia da vacinação era o pior dia do ano para ela, sempre cheio de medo e desconforto. Com o tempo, as vacinas mudaram, e em vez de gotinha, passaram a ser de agulhada no braço. As crianças davam uma verdadeira birra para tomar, e todas eram seguradas para não se mexer.
Os adultos não eram tão bonzinhos, e era preciso ser firme para aplicar a vacina. E naquele tempo, ou as crianças tomavam a vacina, ou apanhavam do médico que aplicava. Elas tomavam as vacinas sem saber exatamente o motivo, mas sabiam que era algo que precisavam fazer, mesmo com medo. Era uma época em que os adultos decidiam o que era melhor, e as crianças simplesmente obedeciam. A vovó Lourdinha amava a escola Caetano ela tem muitas memórias afetivas maravilhosa

Quando a vovó Lourdinha terminou o quarto ano na escola Caetano Petraglia, ela foi fazer um ano de admissão no Salão Nossa Senhora das Graças onde tinha 2 salas. Depois, ela seguiu para o Colégio Júlio Cardoso, onde aprendeu corte e costura e artesanato. Ela adorava estudar lá, mas com a doença do pai e o irmão trabalhando para ajudá-lo, vovó Lourdinha teve que deixar a escola para trabalhar como pespontadeira e ajudar a família. Ela terminou o colegial no João Marciano de Almeida, uma escola em construção, que não oferecia tantos cursos como a Júlio Cardoso. Embora triste, ela se acostumou com a mudança. O tempo passou e, em uma visita à casa de seu primo, vovó Lourdinha conheceu o vovô Alvim. Eles se apaixonaram, casaram e tiveram dois filhos. Hoje, vovó Lourdinha e vovô Alvim têm quatro netos, entre eles eu, Lelê Alvim, e Marcela Alvim.

Letícia de Souza Alvim é encantadora e talentosa! Inspirada pela mãe, Isa Maguilet, que é colaborada deste portal, a pequena também quis escrever para integrar o projeto. Estudante apaixonada pela escola, escolheu esse tema para participar da série de escritoras.
Esse texto faz parte da série "O que elas têm a dizer", idealizado pela colaboradora Soraia Veloso, em que escritoras de Franca homenageiam a cidade pelos 200 anos, comemorados no próximo dia 28 de novembro. Publicamos um texto por dia ao longo de mais de 40 dias, escritos por mulheres.









Parabéns Lelê e família pela educação, lendo essa matéria fiquei emocionada, Lelê você é
um amorzinho uma inspiração pra varias crianças 👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼
Lelê, eu gostei muito de ler seu texto e conhecer sua história. Achei incrível voce querer saber das experiências da sua irmã e da sua avó. Parabéns!!
Amei ler seu texto Lelê, você com nove anis ter esta visão! Muito bom parabéns!
Parabéns Lelê! Belo texto, bela história! Mtas bênçãos pra vc. Bjo.