Do interior mineiro ao coração de Franca

Por Dircélia Rabelo Andrade
Ah, como é doce falar de uma cidade como Franca! Para chegar até aqui, foi um percurso de histórias tristes e, ao mesmo tempo, de muito amor e alegria. Meus pais vieram de uma cidade mineira, Itapecerica, perto de Divinópolis. Eles vieram para Cássia quando minha mãe estava grávida de sete meses de mim. Vieram para Cássia porque os médicos de Divinópolis e Belo Horizonte disseram que era melhor meu pai levar minha mãe para perto da mãe dela, que morava em Cássia.
Assim, meu pai fez: alugou um carro grande para ela vir confortável até Cássia. Eles não conheciam ninguém lá. Minha vó, com todo o amor que tinha, começou a cuidar da minha mãe. Meu pai voltou para Itapecerica para acertar os negócios na empresa. Ele vendeu a casa de porteira fechada para seu irmão e voltou depois de sete dias.
No terceiro dia que minha mãe estava sendo cuidada pela minha vó, ela acordou e disse: “Onde estou?” E já conheceu minha vó e seus irmãos. Quando meu pai estava chegando, com o coração apertado de medo de nós estarmos mortas, ele avistou minha mãe e ela a ele. De longe, correram para se encontrar. Foram choros e sorrisos!
Nasci bem, graças a Deus! Meu pai comprou um sítio e, até meus nove anos, vivi no sítio. Depois mudamos para a cidade de Cássia, e vieram dois irmãos que são bem mais novos que eu. Aos 18, casei e vim morar em Franca em 1988. Meu marido já morava aqui e trabalhava na CTBC. Continuei meus estudos aqui, graças ao meu marido que me incentivou a continuar. Minha filha é francana, nasceu dois anos depois do meu casamento. Hoje, tenho uma neta também francana, com 14 anos. Só gratidão! Fui confeiteira por bastante tempo e hoje sou comerciante. Fiquei viúva depois de 25 anos de casada.
O que me dá orgulho de morar em Franca é sentir e viver a harmonização, a união das pessoas. Fazendo trabalho voluntário, descobri o quanto o povo francano tem um bom coração! Quando viajo e estou chegando a Franca, sempre digo: “Ah, que delícia estar de volta nesta cidade maravilhosa!”
Dircélia Rabelo Andrade é mineira francana com muito orgulho. É voluntária e faz parte do Grupo Mulheres do Brasil (Corrente do Bem)
Esse texto faz parte da série "O que elas têm a dizer", idealizado pela colaboradora Soraia Veloso, em que escritoras de Franca homenageiam a cidade pelos 200 anos, comemorados no próximo dia 28 de novembro. Publicamos um texto por dia ao longo de mais de 40 dias, escritos por mulheres.







Dircélia é uma dessas pessoas que a vida nos presenteou em conhecer. Hoje ela é mais que uma amiga, é considerada Avó dos meus filhos pela gratidão, amizade e amor que nós temos. Meus filhos Julia e Miguel amam ela de coração e nós também. Fiquei muito feliz de ver essa reportagem e saber um pouco mais da história dessa nossa grande amiga. Um grande abraço Dircélia. Fique com Deus. Alessandro, Flávia, Júlia e Miguel Fukuta.
Oh meu amigo! Vocês são uma benção na minha vida! Amo vocês e nos tornamos uma família!
Arrasou Dircii, feliz Natal. 💞
Obrigada amiga! Deus abençoe vocês!