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Análise: os desafios de ser deficiente visual, no mundo e em casa

Por Guilherme Kalel

Em 28 de julho de 2026, completei 36 anos de idade. Durante todos estes anos de vida, convivi com a deficiência visual, já que, por um erro de formação genética, nasci com glaucoma congênito, o que propiciou um quadro de falta de visão total.

Sempre procuro escrever artigos com análises sobre a deficiência visual, buscando conscientizar a sociedade para esta causa e para tantas outras que defendo.

Em meus textos, busco sempre trazer um problema para ser discutido e refletido, apontando como os fatos são e como deveriam ser.

A questão da deficiência visual não é um tabu que, embora se fale muito sobre empresas, fica apenas neste campo.

Muitas vezes, os desafios de uma pessoa com deficiência começam dentro de sua própria casa, com integrantes da família.

Pessoas que deveriam apoiar ou incentivar fazem o contrário, e eu vivi muito isso na pele.

Embora alguns familiares tenham acompanhado meu desenvolvimento e muitos tenham participado ativamente da minha trajetória, outros tantos não fizeram o mesmo.

Claro que ninguém tinha a obrigação de me pegar no colo e seguir pelo caminho ou viver passando a mão na minha cabeça.

Mas, muitas vezes, pensei ao longo dos anos que, de certas pessoas, era melhor o silêncio do que abrirem a boca para falar qualquer coisa.

Muitas das palavras que já ouvi não foram de incentivo; ao contrário. Foram palavras pejorativas com o objetivo de me diminuir, não por qualquer outra coisa que não fosse o fato de ser deficiente visual.

Porque, caros leitores, mostrar um deficiente como membro de sua família, para algumas pessoas, é motivo de vergonha.

Felizmente, ao longo da minha trajetória, essas pessoas citadas foram deixadas para trás.

Se, por um lado, havia pessoas dispostas a me rebaixar pela condição em que nasci, por outro lado, havia pessoas dispostas a lutar com unhas e dentes por mim, pelo meu bem-estar, pela minha educação e pela minha saúde.

Destaco sempre a grande importância e a essencialidade que minha mãe e meus avós maternos tiveram na minha trajetória, e o quanto me orgulho de os ter na minha vida.

Não fosse por eles e por seu incentivo, eu não teria chegado até aqui.

Na minha vida adulta, passei a ter outras convivências familiares e encontrei em pessoas que chegaram e passaram a fazer parte da minha vida novas fontes de incentivo.

Como minha esposa, meus filhos e meus colegas de trabalho, que, por conviverem comigo diariamente, acabaram construindo vínculos e fazendo parte da minha família.

Essas pessoas me mostraram que família não é apenas quem vem do sangue, mas quem escolhemos para estar ao nosso lado nos maiores e mais desafiadores momentos da vida.

Hoje, aos 36 anos de idade, observo tudo o que já vivi. Sei que tenho mais para viver, mas sinto que meu dever em torno de tudo a que me propus fazer foi cumprido.

Há mais para viver e fazer — sempre há —, e seguirei em meus propósitos, eliminando as críticas que não são construtivas e levando o incentivo das pessoas como fonte e combustível na continuidade da minha jornada.

Afinal: “O que te define não é aquilo que mostras, mas sim aquilo que faz.”

E: “A maldade humana não pode ser maior do que a força da verdade.”

Ficam aqui meus mais sinceros e profundos agradecimentos a todos aqueles que sempre me incentivaram, apoiaram e abriram oportunidades para que eu chegasse até aqui.

E fica também a certeza de que continuarei em frente, buscando a cada dia demonstrar que, apesar de uma deficiência, sim, nós somos capazes.

Guilherme Kalel é Jornalista e Escritor

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