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Lulu do Canavial e o milagre de Natal – Última parte

Inhaim?

Chegou o dia de eu borrar nas calças. A Palha, Polha, Pulha, a Peinha, nossa supervisora me escolheu para descer no helicópteru junto com o “Plabo”. Nunca “avoei” na vida. O “helicópteru” ia descer no pátio do ‘shops”. Fui vestida de Mamãe Noel, com uma bota preta até o joelho, vestido vermelho curtinho, calcinha de babado, bem maquiada, com lente de contato azul e sombra vermelha com glitter.

Achei o Papai Noel estranho, falando enrolado, arrastando uma perna. Gritei no ouvido dele: “veio para andar de helicópteru ”? Calça molhada, parecida que estava mijado. Ele não me escutou (pra variar).

Fiquei de olho no piloto. “Homi” bonito, grandão, cabelo preto azul petróleo, barbudo – ai essa barba roçando no meu cangote – só de pensar arrepiei até o último cabelo da pitrica.

Entrei no “bicho”. Me colocaram um negócio no ouvido, um tal de fone. Parecia que eu estava com os “zuvido” cheio de cera. Eu tremia igual a uma vara verde de medo.

No ar, Papai Noel começou a estrebuchar, virava os “zoio”, babava. Eu gritei pro piloto que o “Plabo” estava passando para a terra dos “pé junto”. Pedi água para por na cara dele. Não tinha. Comecei a “cuspi” nele pra ver se ele voltava. Eu berrava: “não segue a luz!” (vi isso num filme). Tentei puxar a língua dele, saí com a dentadura na mão. Que nojo! Cheia de feijão e alface grudado. Além de surdo é porco o excomungado. Puxei a língua. Ele voltou a respirar. Comecei a fazer massagem no peito dele. Cada apertada que eu dava era um pum que ele soltava. Quando descemos, o Sanu estava esperando. O trânsito todo parado. Me senti uma estrela de cinema. Levaram o “Plabo” para o hospital.


A Peinha me ligou: “Precisamos de outro Papai Noel”. Perguntei: “Quanto vocês vão pagar”? “Duzentos”, respondeu a Peinha. “Eu arranjo”. Liguei pra Lolosa.
“Quer ganhar duzentos paus”? Se vista de Papai Noel, pega emprestado da puta que te pariu, pega o Corcel, a estrada e vai voando pro “Besta’s Shopping”. Duzentos paus, me dá metade da gasolina, desgaste de pneus, essas coisas aê”.

Lolosa pegou o Corcel que ainda estava com as almofadas porque eu tinha dado uns “rolê” na noite anterior para dar uma trepada na torre. Quase fundi o motor. A polícia com a sirene ligada parou a Lolosa e os “guarda” tudo mano foram abrindo o caminho pra ela. Ela me contou, depois, que batia a mão na lataria do carro, vestida de Papai Noel, com barba e tudo, e gritava: “Seus roda presa, sai da frente”.

Fui pro estacionamento e quando a Lolosa chegou estava cheio de criancinhas. Moleque de toda cor e de todo tamanho gritando. Grudavam na nossa perna igual cachorro no cio. Passamos uma noite de cão. No final, a Peinha pagou a gente e picamos a mula.
Com dinheiro no bolso, fomos para um forró bate-coxa no Calando Aceso. Tomamos umas biritas, comemos “torremo” e raiou o dia. Eu tinha feito o meu milagre de Natal. E ainda ganhei dinheiro.


FELIZ NATAL!!!!!!!!!!!!!!

Luciene Garcia

É jornalista e criadora da personagem Lulu do Canavial.

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