Diversidade nas Organizações: Entre Tensões e Oportunidades de Transformação
O desafio dos gestores é conseguir manter a produtividade dos colaboradores, fazendo todos encontrar um ponto de convergência que os motivem a fazer o que é preciso para atingir os objetivos da empresa. De modo que, independentemente da diversidade encontrada na equipe, o resultado proposto seja alcançado. Quando se fala em diversidade, trata-se das competências, habilidades, gênero, experiência, idade, origem social ou cultura e deficiência.
A professora Maria Ester de Freitas, nos ensina que a gestão da diversidade não se faz sem tensões. Segundo ela estas tensões “merecem estudos e reflexões: primeiro, a tensão diversidade versus universalidade, que se refere ao peso do contexto na adaptação das práticas de diversidade e o quanto se deve considerar as especificidades de indivíduos e dos diferentes grupos a que eles pertencem; segundo, a tensão diversidade versus igualdade, que se relaciona a como a busca da igualdade pode se desenvolver sem gerar desigualdade nas organizações, a quais são as práticas contra as desigualdades que se institucionalizam e a qual o seu impacto na gestão de organizações”.
Continua dizendo que em terceiro: “a tensão diversidade versus desempenho, que se refere a como a gestão de indivíduos portadores de representações e habilidades muito diferenciadas pode ser uma fonte de desempenho ou, ao contrário, gerar dificuldades. A síntese dessas tensões pode ser expressa no desafio de se extrair o melhor das diferenças sem que o grupo perca sua consistência interna”.
As empresas, não estão fora das questões e problemáticas sociais. São organismos vivos por serem compostas de pessoas. Assim, os efeitos de suas ações não são gerados apenas no meio comercial, na dicotomia do lucro ou prejuízo. Mas, quais reflexos causa seu lucro ou prejuízo onde está inserida. Portanto, não está isenta ao debate da diversidade e quais tensões causa tudo isso. Qual olhar social e ações de mediação é possível usar? Dentre outras questões.
O artigo “Desafios da gestão da diversidade nas organizações”, nos mostra que houve avanços em alguns temas, como a ascensão da mulher em todos os segmentos da economia. Tendo participação cada vez maior nas escolas e nas universidades. Todavia, ainda há muito que melhorar. Pois, cabe salientar que o artigo foi publicado em 2013. Atualmente há muitos direitos trabalhistas que foram perdidos com a terceirização. Além da questão do acesso ao trabalho da pessoa com deficiência. Houve um avanço em políticas públicas, no que se refere as cotas para algumas empresas, no entanto, a reflexão da gestão da diversidade na empresa não trouxe o discernimento da importância desta questão.
Observa-se que, o Brasil ainda permanece como um país perverso contra uma minoria. Controlado por um grupo pequeno de poderosos, tentam esconder ou negar a vulnerabilidade de grupos enfraquecidos politicamente, e profissionalmente. Ainda que tenhamos consciência de uma melhoria do ponto de vista de criação de direitos, e algumas construções de políticas públicas, estamos distantes da normatização de todas estas garantias fundamentais.
REFERÊNCIA:
CHANLAT, Jean-François; DAMERON, Stéphanie; FREITAS, Maria Ester de; DUPUIS, Jean-Pierre; ÖZBILGIN, Mustafa. Desafios da gestão da diversidade nas organizações. São Paulo: FGV EAESP, 2013. Disponível em: https://pesquisa-eaesp.fgv.br/publicacoes/gvp/desafios-da-gestao-da-diversidade-nas-organizacoes. Acesso em: 27 abr. 2025.








